quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Novo Encontro da Casa de Orates



Ontem o SBT e o UOL realizaram novo debate dos candidatos à presidência. Desta vez Bolsonaro não pôde estar presente por ainda estar se recuperando, depois do ataque que sofreu no Rio Grande do Sul. Em compensação, seu antípoda siamês, Fernando Haddad, compareceu para que a mediocridade absoluta não ficasse sem um grande representante. O debate foi longo e amorfo e isso se deve à regra engessada de que cada um só pode escolher um adversário para responder dentro de uma lista sorteada. Dessa forma, os primeiros escolhem sempre os candidatos mais significativos e ficamos sem um embate necessário entre Geraldo e Haddad. Vamos a alguns comentários, em ordem inversa à minha última resenha:

DACIOLO - Passado um mês e meio desde o primeiro debate é possível oferecer retrato um pouco mais apurado sobre essa estranhíssima figura. Por baixo de seu comportamento folclórico e de toda a intolerável blablação religiosa, é interessante constatar que existe uma cabeça que um dia foi pensante. Daciolo pode não ser uma pessoa equilibrada, mas não é um boçal como Bolsonaro, que não passa da essência mais pestilenta da extrema-direita. Se retirarmos de Daciolo algumas toneladas de maluquice, de preconceitos e de bolor evangélico encontraremos um sujeito que, curiosamente, tem idéias. Não tem a mais ínfima noção de como realizá-las, e nem perderei meu tempo analisando se as idéias são boas, mas tem. Ele possui um compasso moral. Está desnorteado, indo para vinte direções ao mesmo tempo, mas está lá. É a própria representação daquele crente cujo intelecto foi devastado pelo fanatismo religioso. Enfim, glória a Deus. Ou melhor, Deus nos proteja.

CIRO - Articulado e inteligente, mas sempre à beira do abismo. Sua resposta à Débora Bergamasco sobre preferir governar "sem o PT" vem tarde demais e tem sabor de ressentimento porque é público e notório que Ciro desejava se tornar o grande herdeiro do espólio lulopetista. Quando diz que "nesse momento o PT representa uma coisa muito grave para o país (...) e transformou-se numa estrutura de poder odienta que acabou criando o Bolsonaro, essa aberração", Ciro tem toda a razão, só que esse tipo de declaração era esperada no início da campanha, e não agora. Também não ajudou nada ele tecer elogios a uma figura funesta de nossa pior política, como Roberto Requião, e ainda ter que levar de Haddad um direto no queixo, quando este revelou ter sido convidado para vice de sua chapa. Ciro foi sempre assim: um passo para frente, cinco para trás. É uma pena, porque da forma que se configura o quadro político, Ciro seria aquele remédio amaríssimo contra a desgraçada polarização Bolso-petista. Mas sua definição anti-PT demorou demais.

MEIRELLES - Nada. Teve uma única oportunidade de limpar sua barra quando perguntado sobre os investimentos bilionários do Brasil em países como Cuba (Porto de Mariel) e Venezuela (Usina Siderúrgica Nacional, entre outros) e nem isso conseguiu. Está há meses batendo na tecla de que criou dez milhões de empregos, o que simplesmente não é verdade. Meirelles foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010, e foi ministro de 2016 a 2018. Ele é o banqueiro que tinha a chave do cofre nos governos de Lula e Temer. E deu no que deu. Fim.

BOULOS - Nada. Continua em seu fétido e indigno papel de linha assessória do PT. Deve estar esperando ansiosamente o primeiro turno acabar de uma vez para poder se aboletar confortavelmente no palanque do fantoche. Como sempre, é um misto de asco e vergonha alheia vê-lo dizer coisas como "o dinheiro existe mas é mal-empregado", pouco depois de serem aventadas por Álvaro Dias as obras criminosas e super-faturadas do PT no exterior. E sobretudo considerando que esse dinheiro vem quase que integralmente do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), via BNDES. Ou seja, o trabalhador não tem acesso a benefícios mínimos quando deixa um emprego por livre e espontânea vontade, mas esse dinheiro pode ser usado no exterior para financiar ditaduras como Cuba e Venezuela. Boulos sabe disso, mas não está nem aí porque só pensa em seus próprios interesses e nos dividendos políticas desta eleição. Seus eleitores, pelo jeito, não.

MARINA - Foi muito bem. Talvez sua melhor participação em debates. Foi catártico vê-la pulverizar um perfeito idiota como Haddad - que teve a desfaçatez habitual de querer culpar os outros pelo fato de Temer ter sido vice de Dilma não uma, mas DUAS vezes, e por seis anos - dizendo-lhe na cara aquilo que todo brasileiro de bem deseja dizer: "Foram vocês, sim, do PT, que se juntaram com ele para poder afundar o Brasil. É muito engraçado, Haddad, você vir falar do Temer e do impeachment, quando você foi pedir a benção para o Renan Calheiros, que também apoiou o impeachment. São dois pesos e duas medidas. (...) Nós vamos, sim, respeitar os trabalhadores, porque temos compromisso com eles, não é no discurso, é na prática. O PT faz o discurso dos trabalhadores e se junta com o Temer para fazer e levar o Brasil para o buraco". Parabéns, Marina. Mas, a exemplo de Ciro, isso vem tarde demais.

ÁLVARO DIAS - Brilhante e, infelizmente, anódino. Desde o primeiro debate tenho a distinta sensação de que Álvaro possui precisamente o discurso que os eleitores de Geraldo queriam ouvir. Ele incensa a Lava-Jato, dá a exata dimensão do nojo que o brasileiro tem de políticos demagogos e corruptos como Lula, fala no perigo da volta da "organização criminosa" em que se transformou o PT, e além de tudo tem tarimba e equilíbrio para governar. Seu conceito sobre as preferências eleitorais de hoje, do brasileiro estar embarcando na desastrosa polarização da "extrema-esquerda contra extrema-direita" em detrimento à experiência administrativa foram lapidares, como também foi perfeita sua frase de que "há um rastro de sangue no itinerário percorrido por aqueles que governaram o Brasil nos últimos anos", aludindo ao silêncio cúmplice do PT sobre o assassinato de Celso Daniel e de sete testemunhas do crime. Álvaro é um homem de bem. Esta eleição, entretanto, não é um lugar para homens de bem.

GERALDO - Nada. Segue com o mesmo discurso centrado em suas realizações como governador e nas reformas necessárias para o país. Só que esta não é uma eleição de programas de governo ou de competência. É uma eleição irracional, de Internet, de extremos, de boçais e fantoches, e Geraldo teria que crispar sua retórica e aumentá-la em centenas de decibéis. Só que isso não é Geraldo. Assim como sucede a Álvaro Dias, esta eleição não é para Geraldo. Repito o que disse antes: "Geraldo é o que é. Não adianta querer mudá-lo. Ou convence o eleitorado com sua conversa quadrada e algo embolorada, ou não". E pelo jeito não convenceu. A perda é nossa.

HADDAD - Um fantoche, invertebrado e ridículo. Foi ministro da Educação de 2005 a 2012, passando portanto, pelos governos de Lula e Dilma. É lembrado como o ministro que desmoralizou o ENEM e criou um sistema nefasto pelo qual um sem número de analfabetos tem, hoje, diploma universitário. Não conseguirão jamais passar numa provinha de português para uma entrevista de emprego, mas são universitários. Com isso inventou-se a patranha de que mais pessoas tiveram acesso à educação durante o governo do PT, quando foi exatamente o contrário. Nunca se criaram tantas faculdades ruins, e de onde saiu gente tão despreparada. Jogado por Lula (e pela burrice dos paulistanos) na prefeitura de São Paulo, é lembrado única e exclusivamente pela pintura esquizofrênica de ciclofaixas nos locais mais desencontrados. Tentou se reeleger e obteve vexaminosos 16% nas urnas. No nordeste é chamado de "Andrade", o que mostra bem o discernimento e a cultura política de seus eleitores. Hoje não passa disso: o fantoche de Lula. Era "o poste". Agora é o fantoche. Um candidato de fancaria. Um sujeito que atende de forma canina aos comandos de um ex-presidente que está preso por corrupção. Uma vergonha para o Brasil.

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