domingo, 11 de fevereiro de 2018

Oscar 2018


(Haverá spoilers)

I, TONYA

Este ano me antecipei à Roberta e dou início à temporada de filmes indicados ao Oscar. Hoje assisti "I, Tonya". Para mim foi interessantíssimo ver o trabalho roteirizado por Steven Rogers e dirigido por Craig Gillespie porque me recordo de toda a polêmica de Tonya Harding como se fosse ontem. A TV a cabo chegara ao Brasil pouco antes e foi possível acompanhar o desenrolar dos fatos pelos noticiários norte-americanos. Esse, aliás, é o grande valor do filme. Ele põe, finalmente, o episódio todo em perspectiva, longe do incrível ódio que suscitou na época. Eu, mesmo, nunca soube que os mentores de toda aquela palhaçada tinham sido o marido idiota de Tonya e seu amigo gordo débil mental. Como o resto do mundo, não procurei conhecer a história a fundo e imaginava que o plano partira dela e do marido em conjunto, movidos por medo da competição e um certo ressentimento pela figura de Nancy Kerrigan, que - como é bem observado no filme - tinha uma beleza longilínea e classuda, o que lhe valia sempre uma simpatia extra dos juízes, enquanto Tonya - boazuda, gostosa e ordinária - era constantemente subestimada.

Tonya e Margot
Ao assistir o trailer pensei que me divertiria com "I, Tonya", pois me pareceu que o filme receberia um tratamento mais de comédia do que de drama, dado o fundamental e inevitável ridículo do atentado engendrado e realizado contra Nancy. Havia a figura barulhenta e vulgar de Tonya, exemplo quintessencial de white trash, a mãe asquerosa e canalha, o marido idiota e assim por diante. Um perfeito enredo de pastelão. Não foi o caso. Eu me diverti porque o filme é ótimo, mas no fim senti tristeza por verificar, mais de duas décadas depois, que Tonya não teve absolutamente nenhuma culpa e pagou sozinha por todo aquele absurdo; seu ex-marido e os imbecis que ele contratou pegaram penas leves e voltaram silenciosamente à inutilidade normal de suas vidas. Ela foi banida da associação de patinação no gelo, o que a impediu permanentemente de exercer seu único talento.

Lembro-me do quanto ela foi ridicularizada, vilipendiada, atacada e destruída. O filme não mostra, por exemplo, que tempos depois, sem um centavo no bolso, ela tentou formar um grupo de música com algumas amigas. A imprensa a trucidou. Depois surgiu um video caseiro de sexo entre ela e o ex-marido, que ele vendeu para a Penthouse. Mais uma onda de humilhação. Mais tarde veio o box. Enfim, Tonya podia ter todos os defeitos do mundo, mas certamente não mereceu a imolação pública e o linchamento moral que sofreu. O filme, não tivesse nenhum outro mérito, esclarece os fatos, coisa que a mídia norte-americana nunca se preocupou em fazer. Como diz o ditado, "a fama dura quinze minutos, a infâmia dura muito mais".  

Margot: brilhante

O filme foi indicado a três Oscars: atriz principal (Margot Robbie, Tonya), atriz coadjuvante (Allison Janney, a mãe de Tonya) e edição. Tanto Margot quanto Allison estão no páreo. Allison tem uma boa chance, embora eu considere o trabalho de Margot muito superior. Eu só a conhecia por sua interpretação de Harley Quinn, que não me deixou qualquer lembrança. No papel de Tonya ela está maravilhosa.

Recomendo.

THE DISASTER ARTIST

Embora a produção de "The Disaster Artist" espalhe com prazer que há grande mistério em torno da origem de seu personagem principal, Tommy Wiseau, sabe-se hoje que ele é polonês, tinha uma próspera confecção de roupas de couro em São Francisco e estava com quarenta e poucos anos quando se passa a história do filme. Excêntrico e esquisito, um perfeito weirdo, ele queria ser ator e freqüentava cursos de teatro até conhecer um garoto de 19 anos chamado Greg Sestero. Os dois se tornaram amigos e foram juntos para Los Angeles, tentar a sorte no cinema. Baldados os esforços de ambos, Tommy decidiu escrever, dirigir e estrelar seu próprio filme. Rico, ele bancou a produção, chamou Sestero para um dos papéis e produziu "The Room", em 2003. O filme - hilário de tão péssimo - é conhecido hoje como "o melhor pior filme de todos os tempos", ou "o moderno Plan 9 from Outer Space", em referência a outro maluco que desejava ser ator e cineasta, Ed Wood.

Em 2013 Sestero escreveu um livro documentando todo o processo de criação de "The Room". O ator James Franco se apaixonou pela história e tornou-se amigo de Tommy. Decidiu fazer um filme sobre o assunto e "The Disaster Artist" tem seu roteiro baseado no livro de Sestero e nos depoimentos do próprio Tommy. Franco dirige o filme e interpreta Tommy. Para o papel de Sestero, Franco chamou seu irmão menor, Dave.

Tommy e Franco

Franco: Wiseau
"The Disaster Artist" é surpreendentemente bom. Franco tem uma carreira no mínimo irregular, faz vários filmes por ano (só em 2017 está em quase vinte filmes, entre cinema, TV e curtas) e seus trabalhos como ator ou diretor variam de ótimo a horrendo. Neste caso o roteiro adaptado de Scott Neustadter e Michael H. Weber - indicado ao Oscar - a direção de James e, sobretudo, sua interpretação de Tommy, tornam "The Disaster Artist" diversão do início ao fim. Considerando que Tommy já é, de certa forma, uma caricatura de si mesmo, James poderia ter pego o atalho de transformar seu personagem em uma alegoria idiota e exagerada (caso de Johnny Depp, péssimo no papel de Ed Wood). Fez o contrário. Desenvolveu o personagem, aprofundou-o e transformou-o em uma entidade independente. Ele criou seu próprio Tommy e supera o original. Tem humor, tem dramaticidade e tem o ridículo fundamental de Tommy, mas sem recorrer ao fácil, ao raso. Cada maneirismo tem seu significado. É um belo trabalho de composição. Um absurdo que ele não tenha sido indicado.

O mesmo não se pode dizer de seu irmão, que é o elo mais fraco da produção. Embora esforçado, ele é artificial, não está no mesmo patamar de James e o bate-bola dos dois é torto. James está perfeito. Dave é apenas medíocre. No mais das vezes não consegue deixar de ser o que foi até agora: uma espécie mini-James Franco, só que meio creepy, com cara de duende. Mas não chega a comprometer.

Recomendo.

DARKEST HOUR

Conhecido por dirigir três bons filmes de época com Keira Knightley ("Pride and Prejudice", "Atonement" e "Anna Karenina"), o inglês Joe Wright se concentrou em Winston Churchill para seu mais recente trabalho, "Darkest Hour". O titulo faz referência à circunstância de que poucas vezes na história um primeiro ministro - ou governante de qualquer tipo - foi alçado ao poder tendo que descascar um abacaxi tão gigantesco. Churchill substituiu o velho e doente Neville Chamberlain, que já não tinha mais qualquer condição de saúde ou de cabeça para exercer seu cargo, e de cara teve que enfrentar a batalha de Dunquerque, na França, onde 300 mil soldados ingleses se encontravam em situasção desesperadora, cercados por tropas alemãs. O filme cobre esse período, que vai da posse de Churchill, no dia 10 de maio de 1940, até o fim do mês, quando entra em ação a chamada "Operação Dínamo", em que navios civis são cooptados para ajudar na evacuação de Dunquerque (tema de "Dunkirk", de Christopher Nolan).

Gary: Churchill
O grande (e talvez único) destaque do filme é, sem dúvida nenhuma, a atuação de Gary Oldman. Ele está com 36 anos de carreira e foi sempre reconhecido por seu extraordinário talento e uma inigualável qualidade camaleônica, que o permitiu interpretar um leque de personagens que vai do Conde Drácula a Lee Harvey Oswald, passando por Sirius Black, um vilão russo, Beethoven e o comissário Gordon, entre muitos outros. Só que Gary, inexplicavelmente, foi esquecido pelo Oscar. Não recebeu jamais a estatueta e foi indicado uma única vez, em 2012, por um filme de espionagem na Guerra Fria que não deixou maior recordação. Aparentemente, para nossa satisfação, o momento de Gary chegou.

Confesso que não fiquei contente quando soube que Gary interpretaria Churchill. Primeiro porque é papel que já foi feito dezenas de vezes por dezenas de atores, e só este ano há dois ou três filmes sobre o assunto; e, mais importante, porque temia que o efeito "Duvall/Stalin" acontecesse; refiro-me ao filme de 1992 no qual o ator norte-americano interpretou Joseph Stalin, mas estava com tanta maquiagem que mal se notavam suas expressões faciais e seu rosto parecia uma máscara de carnaval. Menos mal que as técnicas de maquiagem progrediram muito desde 1992 e Oldman não só ficou inacreditavelmente parecido com Churchill (não tendo, ambos, a rigor, a mais ínfima semelhança), como nem mesmo sua gordura é real. Tudo são próteses e maquiagem.

Gary Oldman
Ele tem uma performance brilhante, como sempre. Oldman pincela os estereótipos que circundam a figura de Churchill (o alcoolismo, o temperamento explosivo, etc.) mas dá envergadura emocional real ao líder inglês. Não se trata do eterno gordo com cara de bebê velho, fumando um charuto, apenas. É o político em carne e osso, enérgico e resoluto, mas também capaz de vergar diante das dificuldades. O filme vale por suas cenas, especialmente os embates com Hallifax e Chamberlain, os ótimos Stephen Dillane e Ronald Pickup. Ronald, por sinal, sem uma gota de maquiagem parece irmão gêmeo de Chamberlain.

"Darkest Hour" foi indicado a Melhor Filme, Melhor Ator, Direção de Arte, Figurinos, Maquiagem e Design de Produção/Cenário. Dou-me por satisfeito com Gary recebendo de uma vez o prêmio que já deveria ter recebido há muitos anos, e mais de uma vez.

THE POST

Em 1967 o então secretário da Defesa Robert Macnamara encomendou um alentado estudo sobre as razões e os desdobramentos da Guerra do Vietnã para fins historiográficos futuros. Daniel Elsberg, analista militar com conexões no Ministério da Defesa, tornou-se um militante contrário à guerra e deu um jeito de fazer uma cópia dos 47 volumes do estudo. Na essência, o estudo - cognominado "The pentagon papers" - mostrava que o grosso das atividades bélicas, a derrota eminente e as verdadeiras razões da guerra foram sempre metodicamente escondidas do público norte-americano. Elsberg sabia disso e de posse dos documentos, procurou o jornalista do The New York Times, Neil Sheehan, e entregou-lhe 43 dos 47 volumes. É a essa altura da história que começa o filme dirigido por Steven Spielberg, "The Post". Os roteiristas Liz Hannah e Josh Singer amarraram bem a história do roubo desses documentos com eventos ocorrendo concomitantemente no Washington Post, que na época estava sob a direção administrativa de Katharine Graham e a direção editorial de Ben Bradlee.

Kay Graham e Ben Bradlee, 1971

Elsberg (Matthew Rhys) entrega os documentos a Sheehan (Justin Swain) e o Times publica uma matéria explosiva revelando parte das informações no dia 13 de junho de 1971. Até o dia seguinte três artigos são publicados; o governo então consegue meter uma medida cautelar que impede o Times de continuar. Elsberg não se dá por vencido e entrega os documentos a Ben Bagdikian (Bob Odenkirk), do Post. Ele submete os documentos a Bradlee (Tom Hanks), que fica maravilhado com o material e quer publicá-lo o quanto antes, não importando as conseqüências jurídicas. Em sua mente o que importa é o furo e o fato de que os documentos mostram de maneira inconcussa que o governo mentiu sistematicamente sobre a guerra.

Meryl: Kay Graham
É aí que temos a segunda trama do filme: Katharine "Kay" Graham (Meryl Streep) é a herdeira do jornal e CEO do Post. Ela era filha de Eugene Meyer, que comprou o jornal em 1933 e o reergueu. O pai deixou a direção do jornal para o marido de Kay, Philip Graham, e quando este se suicidou, em 1963, a bucha caiu nas mãos de Kay, que nunca tivera um único emprego na vida. Ela arregaçou as mangas e não apenas manteve o Post competitivo como o fez crescer. A polêmica de Elsberg e "The Pentagon Papers" ocorre exatamemnte no momento em que o Post vai vender suas ações na bolsa de NY e Kay está enfrentando o Conselho Administrativo do jornal. É uma pequena alusão ao fato de que ela foi a primeira mulher a ocupar um cargo dessa magnitude no jornalismo norte-americano e o quanto se destacou sempre pela coragem. Acresce o fato de que por conta de seus laços familiares, Kay era amiga pessoal de todos os grandes políticos de Washington, inclusive de Robert Macnamara. A publicação dos documentos secretos representava um problema triplo para Kay: 1) Os banqueiros que pretendiam comprar as ações do jornal poderiam ficar intimidados com o escândalo da publicação; 2) Macnamara e dezenas de políticos seriam certamente prejudicados pela revelação dos documentos; e 3) As conseqüências jurídicas e penais eram imprevisíveis. No pior dos casos ela e Bradlee poderiam ser presos.

Hanks: Ben Bradlee
O filme mostra como Bradlee e Kay vão tentar resolver a questão sem destruir suas carreiras.

É um bom filme mas não me furto de repetir o comentário que fiz sobre Spielberg quando ele lançou "Bridge of Spies": ele parece ter se suavizado com o tempo. Não sinto mais qualquer suspense em seus filmes. A certeza do final feliz vem nos primeiros quinze minutos. Eu admirei Spielberg minha vida toda mas faz muito tempo que não vejo um filme seu que me deixe eletrizado. No meio da história juro que esqueci completamente que era um filme de Spielberg. Senti, com "The Post", pouco mais do que senti com o fraco "LBJ", de Rob Reiner, ou com o desperdiçado "Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House", de Peter Landesman, com Liam Neeson. Senti que quem quiser ver um verdadeiro suspense jornalístico, um filme de eletrizar e de arrepiar, deve assistir "All the President's Men", do saudoso Allan Pakula, sobre as reportagens do Post que derrubaram Nixon. Esse sim, é uma obra-prima.

Tom está ok, como Bradlee. Nem bom nem ruim. Está Tom Hanks. E Merryl mais uma vez foi indicada simplesmente porque acordou e respirou. Sem comentários.

DUNKIRK

Christopher Nolan escreveu e dirigiu este filme sobre a batalha de Dunquerque, cidade portuária no norte da França, onde os aliados foram encurralados pelos alemães em maio de 1940. Como praticamente todo o exército inglês estava lá e não sobraram navios ou soldados para fazer o resgate, Churchill utilizou o que lhe restou da força aérea e convocou civis que possuíssem embarcações de qualquer tipo, desde lanchas até barcos pesqueiros, para se dirigirem a Dunquerque e ajudar no resgate.

O filme de Nolan vai contar a história através de quatro núcleos: o dos oficiais que estão em Dunquerque organizando o resgate, liderados pelo comandante Bolton (Kenneth Branagh); o de dois soldados, um inglês (Fionn Whitehead) e outro francês (Damien Bonnard), que estão tentando encontrar lugar nos poucos navios que deixarão Dunquerque; o de dois pilotos da força aérea britânica, Farrier (Tom Hardy) e Collins (Jack Lowden), que se esforçam para defender Dunquerque dos bombardeios alemães; e dos tripulantes de uma das embarcações civis a caminho do porto, com o Sr. Dawson (Mark Rylance), seu filho Peter (Tom Glynn-Carney) e o amigo George (Barry Keoghan).

É um filme interessante, com boa narrativa, mas sem maiores atrativos. O que mais me impressionou neste trabalho de Nolan foi o quanto se parece a um filme de Spielberg. Linguagem, imagens, até interpretações. Morno, por sinal, como os filmes de Spielberg nos últimos dez anos. Recebeu oito indicações: Melhor Filme, Diretor, Edição, Edição de Som, Mixagem de Som, Trilha Sonora, Direção de Arte e Design de Produção.

ALL THE MONEY IN THE WORLD

O filme é baseado no livro Painfully Rich: The Outrageous Fortunes and Misfortunes of the Heirs of J. Paul Getty, de John Pearson, com roteiro de David Scarpa e direção de Ridley Scott. Trata do seqüestro de Paul Getty, neto do bilionário norte-americano Jean Paul Getty. Há dois comentários que devem ser feitos, preliminarmente:

1 - O papel do velho Jean Paul Getty foi feito por Kevin Spacey fortemente maquiado, já que o magnata estava com 80 anos na época em que se passa o filme e Spacey tem 58. Terminada a filmagem e já na fase de pós-produção, Spacey foi alvo de acusações de assédio sexual vindas de jovens atores que trabalharam com ele em diversas ocasiões. Ciente de que seu filme seria prejudicado pela presença desmoralizada do ator, Ridley Scott tomou uma medida corajosíssima: descartou o material filmado com Spacey e refilmou tudo com o grande Christopher Plummer no papel do velho Getty. Vi apenas fotos de Spacey como Getty e só o que posso dizer é que a mudança foi benéfica em todos os sentidos. Não só porque Plummer está com 88 anos e portanto muito mais próximo da idade do personagem, mas porque, sem qualquer pré-julgamento, ele é um ator muito mais versátil e experiente do que Spacey.

Spacey e Plummer: mudança benéfica
2 - O filme foi profundamente romantizado, para dizer o mínimo, em relação à história real; ao invés de "inspired by true events" os créditos iniciais deveriam dizer "VERY LOOSELY based on true events". Tal como é contada no filme, a história é de que o filho de Getty, John Paul (Andrew Buchan), e sua esposa Abigail (Michelle Williams) vão para Roma e John se torna diretor da divisão européia do império de Getty. Em pouco tempo, entretanto, ele não resiste às tentações trazidas pelo dinheiro e se entrega à esbórnia, destruindo sua própria saúde e virando um vegetal. A mulher se separa dele e leva os filhos. Anos depois, um deles (Charlie Plummer) é seqüestrado e a mulher é obrigada a coordenar sozinha o resgate do filho, tendo a ajuda única de um assessor do velho Getty (Mark Whalberg). Assim que o garoto é resgatado, o velho tem uma síncope e morre, deixando o império todo para ela.

Nada poderia estar mais distante da realidade. John Paul se separou de Abigail em 1964 e dois anos depois se casou com uma modelo, com que ficou casado até 1971. Na época do seqüestro de seu filho (1973) ele se envolveu em todo o processo do resgate, inclusive no infame "empréstimo" feito por seu pai, depois que a orelha do menino foi enviada a um jornal. Se caiu ou não na esbórnia (e deve ter caído) e se era ou não um filho da puta igual ao pai (e provavelmente era), não faço idéia, mas continuou o império da família, era amigo pessoal de Margaret Thatcher e inclusive virou "Sir" em 1987. Morreu aos 70 anos em 2003, como uma das figuras mais proeminentes da filantropia inglesa.

Michelle Williams e Mark Whalberg

Quanto ao velho Getty, era exatamente o escroto miserável retratado pelo filme, mas não morreu na época do resgate; conta a lenda, aliás, que Paul ligou para o avô para agradecer pelo dinheiro do resgate e ele se recusou a atender. Getty morreu três anos depois. Seu império passou a ser gerido pelos dois filhos. John Paul e Gordon. Toda a seqüência final do filme é ficção.

Williams: ótima como sempre
Dito isto, "All the money in the world" é um ótimo filme. Um thriller que traz o selo de qualidade de Ridley Scott, com uma narrativa dinâmica que prende do primeiro ao último minuto. Plummer está perfeito como Getty, em interpretação madura e equilibrada, transmitindo todo o cinismo, a insensibilidade e, em geral, o vazio anímico do bilionário com total naturalidade. Sua indicação para Melhor Ator Coadjuvante é merecida e sua vitória seria uma satisfação para todos nós. Mark Whalberg está ok como Chase, o assessor que ajuda Abigail, em papel quadrado e sem maiores vôos. Quem rouba o filme, como sempre, é Michelle Williams. Que atriz espetacular! Que densidade na voz, nos gestos, nas expressões. É incrível como ela vem melhorando a cada ano, e sua performance é modelar.

Recomendo.

MOLLY'S GAME

O que imaginei ser uma coincidência, é, de fato, uma tendência não só do Oscar deste ano, mas dos filmes feitos em Hollywood em 2017: cinebiografias ou histórias baseadas em fatos reais, e filmes escritos e dirigidos pela mesma pessoa. Neste caso temos a estréia diretorial do famoso roteirista Aaron Sorkin, e o personagem escolhido é a ex-esquiadora e ex-promotora de jogos de pôquer legais e (a partir de um certo momento) ilegais, Molly Bloom.

Molly (Jessica Chastain) era uma esquiadora profissional e pretendia disputar as Olimpíadas até que teve um acidente e foi obrigada a abandonar o esporte. Decidiu cursar Direito mas antes passou uma temporada em Los Angeles, onde começou a trabalhar como garçonete de uma danceteria de luxo. Lá conheceu e se tornou secretária de um sujeito, Dean Keith (Jeremy Strong) que promovia um jogo semanal de pôquer com entrada mínima de dez mil dólares. Ela ficou responsável pela organização do jogo e recebia largas gorjetas no fim de cada reunião. Inteligente, Molly observou cuidadosamente tudo o que acontecia, os assuntos que eram tratados, memorizou os macetes do negócio e fez amizade com os jogadores, que variavam de ricos perdulários a atores de Hollywood. Na primeira desavença com o sujeito com quem trabalhava, ela simplesmente mudou o jogo de local, os jogadores a acompanharam e ela e se tornou a promotora. Tempos depois ela se desentendeu com um dos atores que freqüentava o jogo - referido como "jogador X" (Michael Cera) - e que era o verdadeiro chamariz do negócio todo e ele fez o mesmo com ela; mudou o jogo de lugar e tirou Molly de circulação.

Jessica: Molly
Ela então foi para Nova York e, com todo o 'know how' obtido em LA, organizou um jogo extremamente mais caro e mais exclusivo. E é evidente que quanto mais ela foi subindo o preço de admissão - que chegou a 250 mil dólares - mais pessoas suspeitas foram aparecendo, desde bilionários entediados até a máfia russa. E a responsabilidade financeira sobre os milhões que eram jogados no pano verde a fez quebrar a lei em algumas ocasiões, tisnando a legalidade de seu jogo, que até aquele momento era indiscutível. Com efeito, o que Molly fazia não era diferente do que acontece em qualquer cassino de Las Vegas. É quando o FBI começa a monitorar seu jogo e as pessoas que o freqüentavam. O grande problema é que a essa altura a tensão era tanta que Molly começou a usar drogas e ficou viciada em várias, desde cocaína até vicodin e percocet. Sofreu um atentado da máfia russa e resolveu parar de vez. Só que o FBI continuou sua investigação e mesmo que já tivesse parado havia dois anos, ela acabou presa e todo o seu dinheiro foi confiscado.

Molly Bloom, Aaron Sorkin e Jessica Chastain

Molly e Jessica
O filme de Sorkin - baseado no livro de Molly, lançado em 2014: Molly's Game: From Hollywood's Elite, to Wall Street's Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker - conta essa história e a batalha jurídica que se segue, na qual Molly é processada e intimada a entregar seus HDs, que não incluem apenas contatos mas trocas de emails e torpedos que invadem completamente a vida pessoal de todos os envolvidos no jogo. Ela e seu advogado Charlie (Idris Elba) terão esse desafio pela frente. Jessica Chastain está em seu elemento: interpreta uma mulher jovem, inteligente e voluntariosa, escondendo sob uma capa de independência a sua fragilidade emocional. Acima de tudo, contemporânea e sem grandes rasgos de sentimentalismo. É o que Jessica faz melhor. Suas performances em "Wilde Salome" e "Miss Julie" a meu ver naufragam porque falta à Chastain o estofo para a interpretação teatral e para descascar o texto de craques como Oscar Wilde e Strindberg. Já em trabalhos eminentemente cinematográficos como "Zero Dark Thirty", "Miss Sloane" (em papel até parecido a Molly) e "Molly's Game" ela brilha intensamente. Nunca a vi tão linda e tão bem.

Meme com a famosa fala escrita por Sorkin e
dita por Jack Nicholson em "A Few Good Men"
Sorkin é um gosto adquirido. Criador do hoje lendário You can't handle the truth, gritado por Jack Nicholson em "A Few Good Men", se tornou conhecido pela inteligência de seu texto e pela rapidez esquizofrênica de seus diálogos. Acertou em "West Wing", errou em "Studio 60 on the Sunset Strip" (que eu particularmente gostava, mas pelo jeito era só eu, mesmo), acertou em "The Social Network", errou em "Steve Jobs" (aquela chatice com Michael Fassbender) e acertou com "Molly's Game". Com exceção da cena ridícula e constrangedora de sua reconciliação com o pai (Kevin Costner), roteiro e direção estão muito bons. Sorkin começou com o pé direito. Recebeu uma indicação de roteiro mas merecia direção, filme e uma indicação para Chastain. A academia foi mesquinha com ele.

Recomendo.

ROMAN J. ISRAEL, ESQ.

Depois do triunfo de sua estréia diretorial com "Fences", no ano passado, Denzel Washington resolveu voltar com o despretensioso "Roman J. Israel, Esq.", roteirizado e dirigido por Dan Gilroy. Roman (Denzel) é um advogado extremamente talentoso e sua memória privilegiada toca as raias do super-dotado. Tímido e inadequado socialmente, ele se manteve durante anos à sombra de seu sócio; enquanto este brilhava nos tribunais era Roman quem lhe fornecia o estofo jurídico para seus casos mais importantes. O arranjo funcionava bem porque Roman era sincero demais, não conseguia se adaptar à mudança geral dos tempos e não tinha filtros na comunicação com as pessoas, o que não raro o colocava em situações complicadas. Os dois eram idealistas, praticavam o direito pelo prazer de fazer justiça e não pelo dinheiro, e tinham uma parceria redonda. Ou pelo menos é o que Roman pensava até que o sócio tem um enfarte e fica em coma. Ele descobre que as providências tomadas pelo sócio para o caso dessa eventualidade não o incluem e não o transformam em advogado titular da firma. Pelo contrário; ele é despedido pela filha do sócio e não recebe sequer uma rescisão.

A firma é entregue a George Pierce (Colin Farrell), um advogado jovem e ganancioso. Ao tomar conhecimento da extraordinária retentiva do velho advogado, Pierce julga que ele pode ter algum tipo de utilidade e lhe oferece a chance de continuar na firma. Idealista como sempre, Roman recusa a oferta e procura alucinadamente trabalho em uma área que o coloque em contato com pessoas menos favorecidas, lutando por uma causa com o máximo de envolvimento social. Deseja levar adiante, também, um ambicioso projeto de reforma do sistema judiciário, mas precisa de um grupo de pessoas para realizá-lo. Conhece Maya (Carmen Ejogo), que trabalha em uma dessas ONGs e descobre através dela, para sua decepção, que tais cargos até existem mas são de voluntariado e não pagam nada. Enfrentando dificuldades financeiras, ele não vê outra opção senão aceitar a oferta de Pierce.

Denzel: Roman
Como se pode imaginar, na nova firma Roman faz o que pode para não trair seus ideais, mesmo tendo que se curvar aos princípios mercantilistas e insensíveis de Pierce. E nesse processo ele vai mudar sua vida, mas não sem antes mudar a vida de Pierce e de Maya. Se essas mudanças serão para o bem ou para o mal, fica a critério de quem assistir o filme.

Depois de assisti-lo pensei em duas coisas: em primeiro lugar, é aquilo que em teatro antigamente se denominava morality play: Roman é a raça humana, seu sócio é a fraqueza, Pierce é a ganância e Maya é a inocência. O humano é tentado pela ganância e até sucumbe momentaneamente mas juntando sua bondade fundamental com a inocência ele reverte o processo e começa a inocular a ganância com o gérmen da bondade. A segunda coisa foi uma coincidência: estou neste momento pesquisando Eugene O'Neill para um artigo e seu último trabalho, inacabado, foi um ciclo de peças na qual ele levantava a questão bíblica, que é basicamente o cerne do filme de Denzel: “Em que um homem se beneficiará se ganhar o mundo inteiro mas perder a alma?”

Kim Bassinger e Al Pacino em
"People I Know", 2002
A premissa, como se vê, não é nada original e, embora maniqueísta, o filme é bom e a performance de Denzel é estupenda. Ele chegou, finalmente, à idade em que pode descartar com tranqüilidade a aparência e interpretar o papel de um homem absolutamente sem nenhum atrativo físico; pode se concentrar na grandeza libertária de ser patético. É claro que estando em um açougue como Hollywood, isso tem um preço: o público não estava preparado para ver Denzel tão humanizado e "Roman J. Israel, Esq" foi um fracasso retumbante nas bilheterias. Coisa semelhante ocorreu em 2002 com Al Pacino, que cometeu a temeridade de se desglamourizar completamente no ótimo "People I Know", que acabou trucidado pelo público que esperava o Pacino passado a ferro de "Heat". Seja como for, o Roman de Denzel (assim como seu antípoda moral Eli Wurman, de Pacino) representa muito bem a raça humana, em toda a sua grandeza mal-orientada e em todo o seu idealismo admirável e inútil. Nos identificamos com ele. 

Recomendo.

VICTORIA & ABDUL

Este artigo se divide em duas listas, uma com os indicados aos prêmios principais e outra, mais abaixo, com filmes que receberam indicações de prêmios técnicos ou menores, como Maquiagem, e etc. "Victoria & Abdul" se enquadra nessa segunda lista, mas como o erro da Academia em não indicá-lo para Melhor Atriz, e várias outras indicações merecidas, é tão flagrante, decidi inclui-lo na primeira lista.

Quando soube que Judi Dench reprisara o papel de Rainha Victoria em filme sobre o relacionamento da monarca com um indiano, fiquei desconfiado. Primeiro porque eu ignorava completamente a história desse indiano - Hafiz Mohammed Abdul Karim - na vida de Victoria, e segundo porque eu não via possibilidade de fazer algo tão bom ou melhor do que "Mrs. Brown", de 1997, a obra-prima de John Madden sobre o relacionamento de Victoria e John Brown, com Judi Dench e Billy Connoly. No fim das contas, "Victoria & Abdul", dirigido pelo competente Stephen Frears, pode não uma obra-prima como "Mrs. Brown" mas é um ótimo filme e muito melhor do que eu imaginava.

A relação da rainha com Abdul Karim, que começou com aulas de hindustâni e urdu e se transformou em uma grande amizade, era um embaraço para a embolorada e cretina família real e demais agregados; a Índia não passava de uma colônia britânica, seus nativos eram todos vistos como "vassalos" e como se não bastasse, eram quase todos de uma etnia que se aproximava muito mais do negro do que do branco, e isso era motivo de pânico racista entre o bando de puxa-sacos que circundava a rainha. Inteligente e sem paciência para a estreiteza mental de sua família, Victoria não deu a mínima e continuou prestigiando Karim até morrer, em 1901.

Karim e Victoria, circa 1894
Sendo o escroto ressentido, burro e mesquinho que sempre foi, Bertie, o príncipe de Gales - que passou a maior parte de sua inútil vida contando os minutos até a morte da rainha - detestava a amizade da mãe e e o indiano, e quando chegou ao poder finalmente, aos 60 anos, uma de suas primeiras medidas foi mandar queimar todos os pertences de Karim, sobretudo sua correspondência com Victoria, ao longo dos anos, e mandá-lo de volta à Índia. Karim morreu em 1909, Bertie morreu em 1910 e a verdadeira história de Victoria e Karim só começou a ser conhecida nos anos 50, quando surgiram as memórias de Frederick Ponsonby, o secretário particular de Victoria nos últimos anos. Era pouquíssimo. E como Karim não teve filhos, seus pertences se dissiparam entre sobrinhos e outros parentes, que foram para o Paquistão depois da independência, em 1947. Só em 2010 os diários de Karim apareceram, finalmente, contando a história pelo lado do indiano, com um determinado grau de detalhes.

Com base nesses diários foi lançado o livro Victoria and Abdul: The True Story of the Queen's Closest Confidant, de Shrabani Basu, e foi a partir desse livro que Lee Hall escreveu o roteiro do filme de Frears.

Judi Dench e Ali Fazal
Judi Dench dispensa comentários. É uma das melhores atrizes vivas e sua performance é irrepreensível. É um corolário perfeito para "Mrs. Brown". A rainha está agora com 70 anos e no luto permanente em que vive desde a morte de seu marido, quase três décadas antes, ela se deixa encantar (como deixara antes, com Brown) pela amizade do indiano, a oportunidade de aprender uma nova língua, de conhecer melhor a cultura de seus súditos e de valorizar um povo que estava sendo ignorado pelo império britânico. É, por sinal, onde reside uma das poucas falhas de "Victoria & Abdul": a maneira como é mostrada a passagem do tempo. Karim é enviado à Inglaterra para entregar uma comenda qualquer à rainha em 1887, e entre idas e vindas ele esteve próximo a ela até 1901. Essa elipse de quase quinze anos não é bem mostrada no filme. Ninguém envelhece, não há maior indicação de que os anos estão passando e só quando a rainha tem seu notável monólogo (para rechaçar a ameaça de destitui-la do cargo por insanidade, quando ela fala sobre dar o título de "Sir" a Karim) é que ficamos sabendo que ela já está com 80 anos.

Judi Dench e Ali Fazal
Outro problema que poderíamos aventar é o maniqueísmo do filme; Karim é retratado como uma figura sem quaisquer defeitos. Não duvido que fosse uma boa figura, mas também era humano e é inocência achar que durante quinze anos sua presença no reino foi absolutamente imaculada. De qualquer forma, o que fica é a ótima performance de Ali Fazal. O elenco todo, aliás, é brilhante.

O filme recebeu indicações para Figurino e Maquiagem. É deprimente. Mas nunca se esperaria mais de um prêmio tão poluído, política e moralmente, como o Oscar. A performance de Judi em "Mrs. Brown" é considerada um dos melhores trabalhos de uma atriz em todos os tempos, e ela perdeu o Oscar para uma atriz qualquer de sitcoms, cuja carreira evaporou, desde então. Coberta de vergonha, como sempre, a academia tentou se redimir dando a Judi um Oscar de consolação como Atriz Coadjuvante no ano seguinte, por "Shakespeare in Love". Desta vez ela sequer foi indicada. Lamentável. Não inesperado, mas lamentável. Bom saber que o Oscar não significa nada para a realeza teatral britânica, da qual Judi sempre foi uma das rainhas.

Recomendo. E recomendo que quem não viu "Mrs. Brown", veja o quanto antes. Há que ver os dois.


LADY BIRD

Depois de uma série de filmes que vai de bom a ótimo, temos a primeira baixa: "Lady Bird", escrito e dirigido por Greta Gerwig. Não tenho palavras para descrever minha decepção. Primeiro porque o cartaz mostra Saoirse Ronan de perfil, com um penteado estilizado, uma cor forte, o nome é escrito em letras góticas, me pareceu algo medieval e fiquei curiosíssimo. Quando fui ver, era uma bosta de um draminha adolescente!

Nem vou perder tempo: teenage crap com elenco acima da média, pura e simplesmente. Menina pobre e esquisita, começa a ficar popular, a melhor amiga gorda passa a ser ignorada, a mãe é megera e o pai é bonzinho, o irmão é um babaca, ela se decepciona com a nova amiga bonita e falsa, se decepciona com os namorados, todo mundo chora, fazem as pazes, ela vai estudar em outra cidade, blá blá blá, a mesmíssima merda de qualquer filme com a tag coming of age. Um sortido de clichês e pieguices da pior qualidade. E como se não fosse suficiente, Saoirse Ronan (de quem sou fã) tem 24 anos, está com cara de bem vivida, longe de parecer adolescente, e, embora seja excelente em tudo que faz, está passada demais para o papel de uma colegial novinha e boba.

Inacreditável que essa bosta tenha recebido CINCO indicações! Saoirse para Melhor Atriz, Laurie Metcalf, Melhor Coadjuvante, Greta para Roteiro e Direção, e ainda Melhor Filme! É o "La la Land" deste ano. Não merece NADA.

Argh.

CALL ME BY YOUR NAME

Família de americanos mora no norte da Itália. O filho, Elio (Timothée Chalamet), é sensível, toca piano, vive lendo e tem suas aventurinhas com as meninas locais. O pai (Michael Stuhlbarg) é arqueólogo e hospeda seu assistente, o também americano e cultíssimo Oliver (Armie Hammer). Oliver é mais velho, bonito, as meninas todas gostam dele mas pinta um clima inesperado entre ele e Elio. Os dois lutam contra isso no início mas eventualmente se rendem à paixão, que dura o período da hospedagem de Oliver e termina quando ele vai embora. Elio fica arrasado mas recebe inteiro apoio moral dos pais. Nada de novo. É mais um coming of age, só que gay, dentro de um espectro mais curto de tempo, sem sofrimentos ou dramas desnecessários e substituindo as americanices de classe média baixa por paisagens espetaculares e o adorável modus vivendi italiano.

Achei fraquíssimo e insanamente longo. O romance surge do nada, não tem razão de ser, os dois não têm química e Army Hammer está desconfortável e artificial. Os dois atores estabeleceram limites para as cenas de sexo e proibiram contratualmente o nu frontal. Timothée Chalamet me faz lembrar Patrick Dempsey; um anti-galã adolescente de Sessão da Tarde. Sua cena transando com um pêssego é bizarra e é um exagero absurdo indicá-lo por este papel. Além de Melhor Ator, há mais três indicações. Não merece.

PHANTOM THREAD

Falei cedo demais que "Lady Bird" era o "La la Land" deste ano. Não é. O "La la Land" deste ano é pior que "La la Land". É "Phantom Thread". Paul Thomas Anderson é talentoso mas irregularíssimo. "Phantom Thread" é Anderson tentando ser Scorsese tentando ser James Ivory. É art-house pretentious crap em potência máxima. É um pedaço de isopor servido com caviar, salmão, damascos secos, queijo roquefort e vinho francês. São intermináveis, massacrantes duas horas e dez minutos (que eu evidentemente não assisti) de Daniel Day Lewis, o ator mais superestimado de todos os tempos, o pior dos sensaborões, a mais deslavada das farsas hollywoodianas, espalhando as mesmas caretas e a mesma inanição interpretativa de sempre.

Como de praxe, assisti trinta minutos e parei. A trama fantasma - o título já é uma piada pronta - é fantasma. Talvez seja conhecida em reuniões mediúnicas ou em mesas de tabuleiro ouija. Durante trinta minutos vemos Lewis vestindo uma mulher. Lamento pelos fãs, mas me faltou curiosidade para saber o que acontece nos 100 minutos seguintes. Foi indicado a seis Oscars. Meus pêsames.

GET OUT

É curioso ver as regras fundamentais do Oscar sendo quebradas, ao longo dos anos. Antigamente, para que um filme de terror chegasse ao Oscar tinha que ser no mínimo uma obra-prima, como "O Exorcista" (indicado a dez estatuetas, ganhou duas). Qualquer coisa a menos, não era menosprezado, mas não tinha lugar na celebração anual da academia. "Get Out" qualificaria como o "qualquer coisa a menos". Absolutamente não compreendo esse filme constar da lista de indicados, e muito menos receber quatro indicações.

Posso fazer dois comentários sobre o roteiro de Jordan Peele. O primeiro ficou claro para mim rapidamente: a influência que "Get Out" recebe de M. Night Shyamalan e Charlie Kauffman é tão óbvia que beira o pastiche. Há cenas no filme que são praticamente retiradas de filmes dos dois. Se não é homenagem, é plágio. A cena do velho explicando num filminho a coisa toda da "coágula" é calcada em "Being John Malkovitch". Até Catherine Keener está nos dois filmes.

O segundo comentário seria o subtexto racista, mas esse - juro - não me caiu a ficha enquanto eu via o filme. A premissa é de uma família de psicopatas que seqüestra negros e realiza procedimentos cirúrgicos a la Frankenstein para torná-los manipuláveis como fantoches (há que ver o filme para entender). Sinceramente, a coisa toda é tão bizarra que racismo foi a última coisa que pensei. Se há ou não esse subtexto, não sei. Eu não percebi.

O que sei é que o filme é medíocre. Boilerplate suspense. É interessante, é bom entretenimento, mas em circunstâncias normais, nunca seria indicado. Me parece a academia querendo ser etnicamente correta. Foi indicado a Melhor Filme, Direção e Roteiro, e Melhor Ator para Daniel Kaluuya. Não merece nenhum.

MUDBOUND

É baseado no livro de Hillary Jordan e tem roteiro de Virgil Williams e Dee Rees, sendo que esta última também dirige. O filme é sobre o relacionamento entre duas famílias do Mississipi - uma branca, de fazendeiros pobres, e uma negra, de trabalhadores dessa fazenda - que mandam filhos para a Segunda Guerra. Quando voltam, os dois formam uma amizade inusitada e perigosa, em uma região de racismo encarniçado e grande poder do KKK.

Bom elenco, Carey Mulligan está adorável como sempre, boa fotografia, e mais do mesmo. Já vimos dezenas de filmes sobre o racismo no Mississipi. Para os padrões da Netflix e de seu público, está ok. Foi indicado a quatro Oscars: Melhor Atriz Coadjuvante - a cantora Mary J. Blidge, boa - Roteiro Adaptado, Direção de Arte e Música Original, novamente com Mary.

É um filme loooongo... loooongo...

THE SHAPE OF WATER

Vejamos... junte "Amelie Poulain" e "Hugo Cabret" com "Beauty and the Beast" e "Little Mermaid" no mesmo liquidificador e temos os ingredientes para "The Shape of Water". A história se passa em Baltimore na década de 60. De dia Elisa (Sally Hawkins), uma jovem muda, trabalha como empregada de um artista (Richard Jenkins) cuja arte está em decadência, e de noite ela e sua colega Zelda (Octavia Spencer) são faxineiras de um laboratório militar secreto que abriga um ser anfíbio, capturado - onde mais? - na selva amazônica.

Elisa verifica a crueldade com que o ser é tratado pelo seu captor, Richard Strickland (Michael Shannon), e se compadece da criatura. Mais do que isso, quando não há ninguém por perto ela se aproxima da criatura e forma com ela uma relação estranha e íntima. Ela entra em desespero quando descobre que o plano dos militares é simplesmente matar e dissecar a criatura; sendo um ser anfíbio, mas bípede e tendo notáveis traços humanos, ele pode possuir a chave de uma respiração alternativa, o que seria de extrema utilidade dentro do plano para superar os russos na corrida espacial. Elisa fará tudo para impedir a morte da criatura e nisso entrarão em questão sua origem e as razões pelas quais está fazendo isso.

Sally Hawkins: Eliza
Assim como "Amelie Poulain" e "Hugo Cabret", que são influências decisivas nesse trabalho de Guillermo del Toro (roteirista e diretor), "The Shape of Water" é plasticamente bonito e tem uma trilha sonora lindíssima, de Alexandre Desplat. Mas como não é a primeira vez que vemos essa linguagem ser usada, não chegou a me provocar a catarse de Amelie ou a emoção de Cabret. Além do fato de que as tramas não são suficientemente desenvolvidas, então o enredo colateral do artista velho, por exemplo, que se apaixona por um moleque que vende tortas acaba ficando pela metade, sem razão de ser, assim como a paixão dele e de Eliza por musicais, ela saber sapatear, e etc. São coisas mostradas uma ou duas vezes, despertam interesse e desaparecem. A melhor coisa de todo o filme, no fim das contas, é a interpretação linda e delicada de Sally Hawkins. Não sei se chega a ser oscarizável, mas é natural e convence.

"The Shape of Water" recebeu treze indicações. Filme, Direção, Roteiro, Atrizes Principal e Coadjuvante, Ator Coadjuvante e uma pilha de prêmios técnicos. Estou torcendo para que Margot Robbie ("I, Tonya") leve a estatueta de Melhor Atriz, mas se ela não vencer, não me importaria que o prêmio fosse para Sally.

Recomendo. É bonitinho. Já assistimos várias vezes esse mesmo filme ao longo dos anos. Mais uma vez não fará diferença.

THREE BILBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI

Direção e roteiro de Martin McDonagh, o filme é sobre Mildred (Frances McDormand), moradora de uma pequena cidade do interior norte-americano, que tempos antes teve sua filha estuprada e assassinada. O crime permanece sem solução e, não suportando aquilo que considera ser indiferença da polícia local, ela resolve colocar três outdoors em que questiona a polícia por não prender nenhum suspeito, e cita o delegado Willoughby (Woody Harrelson) nominalmente. A população fica dividida; há um consenso de que o crime deve ser solucionado, mas Willoughby é bem-quisto; é um policial de bom caráter, um homem de família e, como se verá logo no início, ele está morrendo de câncer. Por outro lado, um dos colegas de Willoughby, Dixon (Sam Rockwell), é um sujeito considerado burro e de maus bofes, e envolvido em um episódio de tortura de um suspeito negro. As opiniões se dividem, o filho de Mildred sofre bullying, ela e sua amiga são ameaçadas por desordeiros mas ela não se deixa intimidar.

Mesmo sendo um drama, as cenas de comédia roubam o filme. Os diálogos entre Woody Harrelson e Sam Rockwell são absolutamente hilários, assim como as pérolas vertidas pela menina com quem o ex-marido de Mildred se casou, e até o cameo de Peter Dinklage. Estão todos sensacionais na comédia e também muito competentes no drama. McDormand tem a performance impecável de sempre. Harrelson passeia pelo papel. Rockwell se dá bem no papel de completos losers mas já provou em outras ocasiões ser um ator versátil.

O filme foi indicado a sete Oscars: Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante duas vezes (Rockwell e Harrelson), o que acho estranho, porque embora McDormand seja a única verdadeira protagonista, Rockwell é, efetivamente, o ator principal. Há também Trilha Sonora, Roteiro e Edição. McDormand e Rockwell já levaram o Globo de Ouro. É possível que repitam o feito na academia. Harrelson também está bem cotado. Os três merecem.

Recomendo.

THE FLORIDA PROJECT

Ainda não aprendi a lidar com essa mistura de cinema e pseudo-assistência social. "The Florida Project" ("project" no sentido habitacional, como o "Projeto Cingapura", significando um conjunto habitacional para pessoas menos favorecidas) é um filme sobre o dia-a-dia de inutilidade, vadiagem, vandalismo, maus exemplos e burrice de uma jovem (Bria Vinaite) que mora em um desses projetos, sua filha (a excelente Brooklynn Prince) e os amiguinhos. Ninguém trabalha, ninguém faz nada, a jovem é desocupada, rouba lojas para pagar o aluguel, vive falando palavrões, arranja confusão com todo mundo e a filha observa isso tranqüila e bem-humorada, e tem o desejo de conhecer a Disneylândia, que fica perto dali, com sua amiguinha (Valeria Cotto, também ótima). E no meio está o zelador (Willem Dafoe) para pôr panos quentes nas merdas que a jovem vive fazendo.

Moral da história: há pessoas que vivem nessa situação. Só. É a indicação mais fácil já recebida por um ator (Dafoe) em todos os tempos. Se o filme tem a pretensão de mostrar essa realidade, não precisava ter levado intermináveis duas horas para isso. Uma hora estaria de ótimo tamanho. Ou, melhor ainda, da próxima vez façam um documentário.

OUTROS


Beauty and the Beast - Versão cinematográfica do desenho clássico de 1991. É bom mas padece do mesmo defeito de 99% dos musicais hollywoodianos de hoje: os atores não são cantores. A trilha sonora de Alan Menken e Howard Ashman precisa de grandes cantores e tanto quanto eu amo Emma Watson, me dói na alma vê-la desperdiçar uma obra-prima como "Belle", já no início. O mesmo com Josh Gad desmunhecando demais e cantando de menos a linda e divertida "Gaston". Emma Thompson é um caso curioso: ela é atriz de teatro e tenho a trilha sonora de "Me and My Girl", que ela fez com Robert Lindsay, e Emma canta muito bem! No papel de Mrs. Potts, entretanto, ela derrapa. Sentimos muita saudade de Angela Lansbury. Enfim, o clima do desenho era bem mais light. O filme é bom, mas o desenho é melhor. Indicado a Melhor Figurino e Design de Produção.

Marshall - Thurgood Marshall foi o primeiro negro a fazer parte da Suprema Corte norte-americana, indicado por Lyndon Johnson. O filme em questão é sobre um caso defendido por ele no início de sua carreira, quando era destacado pela NAACP para defender negros em tribunais por todo o país. Neste caso trata-se de uma jovem socialite que acusa o empregado negro de seu marido de estupro e tentativa de assassinato. É razoável. Bastante raso. Chadwick Boseman não tem rios de carisma, o mesmo pode ser dito de Josh Gad e o filme acaba sendo agradável pela presença sempre deliciosa de Kate Hudson. Indicado peça canção "Stand up for something".

Blade Runner 2049 - O que dizer deste filme... eu quero elogiar, mas... vejamos:
1 - O clássico de 1982 dirigido por Ridley Scott tem uma hora e cinqüenta e sete minutos. Esta continuação tem duas horas e quarenta e quatro. Já não é bom sinal.
2 - Philip K. Dick, o autor da história original, morreu antes mesmo do primeiro filme ser lançado e não escreveu esta segunda história. Ela ficou a cargo de um dos roteiristas do primeiro filme, Hampton Fancher. É outro problema.
3 - O filme de 1982 reuniu um dos melhores elencos de todos os tempos. Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young e Daryl Hannah. Cada um deles transformou seu personagem em um clássico; todos são únicos, todos são protagonistas. A performance de cada um está gravada a ouro na história do cinema. Está longe, muito longe, mas muuuuuuito longe de ser o caso, neste novo filme.
4 - Quem assiste esta continuação quer uma única coisa: rever os personagens originais, de um jeito ou de outro. E somos submetidos à tortura da inexpressividade de Ryan Gosling durante uma hora e quarenta e cinco minutos até que isso aconteça.
5 - Quando finalmente acontece, não é a catarse que imaginávamos.
6 - Para que não se diga que não elogiei, Ana de Armas (Joi) e Mackenzie Davis (Mariette) são a própria definição de eye candy.

Eu diria que vale por rever Ford como Deckard. Não adianta recomendar ou não; quem viu o filme de 1982 não vai agüentar de curiosidade. Foi indicado a cinco Oscars: Direção de Arte, Design de Produção, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Especiais.

Baby Driver - Garoto (Ansel Elgort) ouve música sem parar em um Ipod porque sofre de tinnitus (um zumbido permanente nos ouvidos). Tem uma dívida com um chefão do crime (Kevin Spacey), de quem roubou um automóvel, tempos antes, e como demonstrou habilidade ao volante, o chefão o deixa pagar a dívida trabalhando como motorista na fuga dos assaltos realizados por suas quadrilhas. A coisa funciona bem até que um dos bandidos (Jamie Foxx) resolve agir por conta própria e compromete o negócio todo. Assisti com a mais rematada má vontade e acabei gostando. A música constante dá nos nervos, em alguns momentos, e há cenas do garoto dançando, passeando e outras encheções de lingüiça, mas no cômputo geral é um ótimo filme de ação. Jon Hamm e Elza González fazem um divertido casal de criminosos e Lily James (Debora) é adorável. Recebeu três indicações: Edição, Edição de Som e Mixagem de Som.

Wonder - História de um menino, Auggie (Jacob Tremblay), que tem uma deformidade facial e depois de algum tempo recebendo aulas de sua mãe (Julia Roberts), vai à escola pela primeira vez. Durante o ano em que dura o filme, ele vai enfrentar bullying, terá bons amigos, sofrerá decepções, alegrias e etc. Sua irmã mais velha, Via (Izabela Vidovic), está passando por um momento difícil porque perdeu a avó (Sônia Braga, em cena única, num flashback) e sua melhor amiga (Danielle Rose Russell) agora anda com a turma cool da escola e não lhe dá mais atenção. O teatro e um namoradinho vão fazê-la melhorar. Feel good movie sobre a dificuldade de ser criança na escola e sobretudo se você tem uma deformidade. Embora já tenhamos visto dezenas de filmes iguais, "Wonder" se assiste com algum prazer. Foi indicado a Melhor Maquiagem.

Logan e Barnum: dobradinha de Hugh
The Greatest Showman - Musical sobre o empresário circense P. T. Barnum, criado por Jenny Bicks e roteirizado por ela e Bill Condon, com direção do estreante Michael Gracey. As músicas são de Justin Paul e Benj Pasek, de "La la Land". A história é completamente romanceada e não tem maior compromisso com a verdade, o que não é um defeito; o objetivo do filme é ser um musical agradável e não uma biografia definitiva de Barnum. As músicas são razoáveis, no nível infanto-juvenil de "La la Land", e nenhuma realmente memorável. O grande mérito de "The Greatest Showman" é trazer o carismático Hugh Jackman no papel de Barnum. Há também a presença sempre positiva de Michelle Williams e uma menina lindíssima chamada Zendaya. Pelo lado negativo, um papel de relevo foi dado ao lamentável canastrão Zac Efron. É um musical ok e será esquecido, assim como "La la Land". Indicado pela canção "This is Me".

Logan - Gostei, mas não entendo o carnaval em cima desse filme. Ok, há uma certa mística por ser o fim da saga de Wolverine, é tocante ver Logan e Charles velhos e decrépitos, mas daí a entrar em grandes discussões artísticas sobre o porquê de "Logan" ter recebido uma indicação e a "Mulher Maravilha" não ter recebido nada é uma piada! Nenhum dos dois merece indicação nenhuma! São filmes de super-herói, há dezenas todo ano, obedecem um formato, são basicamente a mesma coisa. Este último filme de Logan usa o artifício mais manjado de todos os tempos, em continuações, que é enfiar uma criança no meio, pra ver se muda a dinâmica desgastada dos personagens e apela para um público mais jovem. O filme é bom, só isso. Não vamos exagerar. Foi indicado por Roteiro Adaptado.

Coco - Animação da Disney que tem como tema o Dia de los muertos, que é o Dia de Finados tal qual se comemora no México, só que ao invés de ser uma data de tristeza e morbidez, é uma celebração com direito a homenagens e oferendas. A história gira em torno de um menino que quer ser músico mas sua família é contra porque seu tataravô era músico e abandonou a mulher e a filha por uma carreira de sucesso. No Dia de los muertos o menino acaba, por engano, indo parar no mundo dos mortos e tenta encontrar seu tataravô, cuja benção pode mandá-lo de volta para o mundo dos vivos. Muito bonitinho, como todas as animações da Disney, e há sempre uma lágrima de emoção no fim. As imagens e símbolos da celebração mexicana são um espetáculo visual do melhor gosto, que a um tempo mantém a leveza e respeita a seriedade do tema. Indicado para Melhor Longa de Animação e a canção "Remember Me".

The Breadwinner - Baseado no best-seller homônimo da escritora canadense Deborah Ellis. É a história de uma menina de onze anos, Parvana, que mora com seus pais, sua irmã e um irmão ainda bebê na conflagrada Cabul. Quando o pai é preso sem qualquer acusação, por pura crueldade dos talibãs, a família fica sem ter como se sustentar; pela lei local, as mulheres não tem direito nem de sair de casa se não estiverem acompanhadas do pai, do marido ou de um irmão. Parvana então corta o cabelo, se veste com as roupas de um irmão morto pouco antes (por uma mina terrestre) e se finge de menino. Começa a trabalhar para alimentar a família e divisa um plano para resgatar seu pai.

É uma linda história (Ellis passou meses em campos de refugiados paquistaneses fazendo pesquisa), muito emocionante, carregada de dramaticidade mas tratada com muita delicadeza pela diretora Nora Twomey. Foi indicado a Melhor Longa de Animação. É um páreo duro com "Coco". Por um lado temos uma comédia baseada em um assunto relativamente triste, e do outro um drama cheio de esperança sobre um assunto trágico. Os dois merecem o prêmio.

Guardians of the Galaxi Vol.2 - Legal mas não supera o primeiro, que foi diversão do início ao fim. Este conta com a presença de Kurt Russel e Sylvester Stallone, o que é bom, mas as palhaçadas estão ficando previsíveis e sinto que a franquia vai cansar, se o próximo não for excepcionalmente bom. Seguindo a chatíssima tendência cinematográfica e televisiva deste ano, os hits ininterruptos dos anos 70 e 80 dão nos nervos. Indicado por Efeitos Especiais.

Star Wars: The last Jedi - Ainda não vi mas verei em breve. Se bem que não preciso assistir para saber que a trilha sonora de John Williams deve ser mais um diamante na coroa desse gênio, que é o nosso Beethoven contemporâneo. Indicações para Trilha Sonora, Efeitos Especiais, Mixagem de Som e Edição de Som.

The Big Sick - Comecei a ver mas me deu sono. Talvez um dia. Indicado a Melhor Roteiro.

Kong: Skull Island - Efeitos Especiais. Não vi e não verei. Já assisti as versões de 1933, 1976 e 2005, e por causa de Charlize Theron ainda vi um genérico chamado "Mighty Joe Young", de 1998. Chega.

War for the planet of the apes - Efeitos Especiais. Não vi e não verei. Cresci com a versão de Charlton Heston e Roddy MacDowall, e é o suficiente.
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(Escrito entre 25/1 e 11/2/2018).
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