domingo, 4 de setembro de 2016

Pílulas Janísticas — 7

Compilação de publicações da página da biografia de Jânio Quadros no Facebook

PRESIDÊNCIA


Um apanhado didático sobre a presidência de Jânio, publicado na Revista do Tico Tico, julho/agosto de 1961. (30/05/2016)

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MINAS, 1960


Linha de frente mineira: José Aparecido de Oliveira, Jânio e Magalhães Pinto. O primeiro, apresentado pelo terceiro ao segundo, se desdobrava pela eleição do segundo à presidência e do terceiro ao governo de Minas. Teve êxito.

Zé foi secretário particular de ambos e uma grande amizade os uniu até a morte de Jânio em 1992 e de Magalhães em 1996. Zé morreu em 2007. (01/06/2016)

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EQUIPE
















Reunião do presidente com alguns de seus mais importantes assessores. Sentados, da esquerda para a direita, o Chefe do Gabinete Militar, Pedro Geraldo de Almeida, o chanceler Afonso Arinos, Jânio, o Secretário de Imprensa, Carlos Castello Branco e J. Pereira, que ocupou esse cargo durante o governo estadual de Jânio e trabalhava junto a Castello. Em pé, da esquerda para a direita, Juracy Magalhães Junior, subchefe da Casa Civil, (desconhecido), Araripe Serpa, subchefe da Casa Civil, o Ministro do Trabalho, Castro Neves, e José Augusto Macedo Soares, do Cerimonial da presidência. (02/06/2016)

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JORNADA CÍVICA DA VASSOURA




Janistas e sua dedicação ferrenha à eleição de Jânio, em 1960, utilizando posters, vassouras, calhambeques e ônibus. Um momento inigualável de participação popular. (05/06/2016)

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PAULO DE TARSO


Paulo começou no teatro e passou para a política. Foi deputado federal duas vezes pelo PDC, nomeado prefeito de Brasília na presidência de Jânio e ministro da Educação no governo João Goulart. Nesse período, popularizou o nome de Paulo Freire e teve como chefe de sua assessoria o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

Paulo completou 90 anos em janeiro. Na foto, ele e Jânio aparecem em evento da viagem de campanha à Cuba, em 1960. (09/06/2016)

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1959 - JK e JQ 


(16/06/2016)

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MPJQ


Fachada do edifício que abrigava o MPJQ, Movimento Popular Jânio Quadros, fundado pelo parlamentar paulista Carlos Castilho Cabral, na Rua Almirante Barroso, 22, Rio de Janeiro, com a kombi do movimento estacionada em frente. (18/06/2016)

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JÂNIO E MAGALHÃES


1960 - Jânio, Magalhães e o segredo ao pé do ouvido (20/06/2016)

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JÂNIO, ZÉ E EMÍLIO CARLOS



1960 - Zé Aparecido, Dona Eloá, Emílio Carlos e Jânio. O mineiro acabava de chegar e já se tornara valioso assessor. Eloá esteve ao lado do marido em todas as campanhas.

Mas Emílio é um caso à parte. Companheiro de Jânio nas estrepolias diurnas e noturnas, ele foi um dos maiores palanqueiros da política brasileira. Teve com Jânio suas idas e vindas e nem sempre estiveram juntos. É, contudo, difícil pensar nos dois em campos opostos. (22/06/2016)

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JÂNIO E SARNEY


Em audiência com o então presidente Sarney, provavelmente em 1987. Ter Quércia no governo e Sarney na presidência - dois antigos aliados - permitiu a Jânio realizar grande parte de seu plano de governo e das obras que pretendeu para São Paulo, em seu último mandato. (28/06/2016)

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JÂNIO E O PASQUIM


Utilizei muito a entrevista do Pasquim no primeiro volume da biografia de Jânio. Desde a epígrafe do primeiro capítulo, passando pelo trecho em que afirma que sua irmã morreu de uma "moléstia rapidíssima", para não dizer "tuberculose", até o "me elegi comodamente pelo Partido Democrata Cristão", desmentido categórico e irrefutável à imbecilidade que já na época se disseminava, sobre ele ter obtido apenas uma suplência em sua primeira disputa eleitoral, para a Câmara dos Vereadores. Jânio estava descontraído, falador e bem humorado. Os entrevistadores não só o trataram bem, mas em alguns casos - como no de Ziraldo - mostraram reverência. Isso deve tê-lo agradado sobremaneira.

O video acima é de uma série do Canal Brasil que recria as entrevistas utilizando atores. Interpretando Jânio, neste trecho, está o ator Paulo César Pereio. (06/07/2016)

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JÂNIO, ELOÁ E MAGALHÃES - 1960


Sem balões, sem TV, sem mortadela.
Só eles e o povo. (08/07/2016)

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HÁ EXATOS 55 ANOS


O repórter George Torok, da revista O Cruzeiro, leva as fotos da primeira neta de Jânio, nascida em São Paulo, em 18 de julho de 1961, para que o avô possa vê-la, em Brasília.

Testemunhas do fato, da esquerda para a direita, o Chefe da Casa Civil, Quintanilha Ribeiro, o secretário particular José Aparecido de Oliveira, o oficial de Gabinete Juracy Magalhães Junior e o general Pedro Geraldo de Almeida.

O Cruzeiro, 5/8/1961 (18/07/2016)

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HÁ EXATOS 55 ANOS


Jânio "participa" para o Brasil, através de um bilhetinho, o nascimento de sua primeira neta. (19/07/2016)

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OLHO ESQUERDO


O acidente com uma ampola de lança-perfume, que quase cegou Jânio, ocorreu no primeiro lustro da década de 30. Ele passou por operações no Brasil e no exterior para corrigir seus efeitos. Elas até atenuaram um pouco seu estrabismo, mas a cicatriz no olho esquerdo ficou para sempre. (15/07/2016)

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OLHO ESQUERDO (2)


"Jânio não costumava entrar em detalhes sobre o acidente com seu olho, mas foi num baile desse carnaval (1935) que um frasco estourou nas mãos de alguém que estava a seu lado, e um dos cacos do frasco se alojou em seu olho esquerdo". (Jânio, pg. 106) (25/07/2016)

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OLHO ESQUERDO (3)


A principal conseqüência política do acidente de Jânio com uma ampola de lança-perfume foi sua batalha impertérrita pela proibição de sua comercialização. O jornal é de exatos 50 anos atrás, mas o decreto presidencial veio no dia 18 de agosto.

Já na Câmara dos Vereadores, 13 anos antes, Jânio apresentara o primeiro projeto proibindo a venda do lança. Na presidência ele atingiu seu objetivo. (19/08/2016)

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JÂNIO E AVIÕES


Não era segredo para ninguém que Jânio não gostava de viajar de avião, ficava nervoso, inquieto, e se pudesse bebia uma garrafa de whisky inteira para suportar o tranco.

Mas as campanhas exigiam isso, sobretudo a presidencial, de 1960, na qual vemos Jânio e seu amigo fiel e cabo eleitoral Lino de Mattos. (17/08/2016)

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HÁ 55 ANOS


O Diário de Notícias do dia 20 de agosto fala da "grave crise entre Lacerda e Jânio", desencadeada na véspera. Jânio condecorou Che Guevara, e naquela que talvez seja a retaliação mais idiota de todos os tempos, Lacerda deu a chave da cidade a um obscuro líder anti-castrista que flanava pelo Rio, chamado Manuel Varona. (20/08/2016)

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21 DE AGOSTO DE 1961


Quatro dias antes da renúncia

A "Última Hora" de Samuel Wainer noticia o encontro de Jânio com uma missão nigeriana que visitava o Brasil. Enquanto isso a turma do "deixa-disso" tentava acalmar Lacerda, chato e histérico, que gritava e esperneava como uma criança mimada e ameaçava renunciar ao governo do Rio se Jânio não lhe desse a mamadeira.

Jânio estava "efusivo e sorridente". Quem poderia dizer que ele renunciaria dias depois? Quem poderia dizer que naquele momento ele sequer cogitava renunciar? (21/08/2016)

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TRIBUNA DA IMPRENSA



É interessante compulsar antigos volumes da Tribuna da Imprensa, porque lá se vê um Brasil que não existia, a não ser na mente doentia e infeliz de Carlos Lacerda. Algo muito próximo, inversamente proporcional ao que vemos em blogs pagos pelo PT, como o de Luis Nassif e demais veículos daquilo que Marco Antônio Villa, em momento de grande felicidade, batizou de "esgotosfera".

Assim como nesses blogs pagos vemos um Brasil em negação, que não enxerga a implosão do PT, a corrupção de seus dirigentes e fundadores, a desgraça dos últimos treze anos, Lacerda e seus acólitos gritavam esperneavam, se descabelavam e soltavam plumas de medo de uma política externa cujo único defeito era ser democrática e plural. A condecoração a Guevara, então, deve ter levado alguns lacerdistas a cortarem os pulsos.

Acima vemos dois desenhos de Nilde, chargista da Tribuna. No primeiro (23/08/1961) o chanceler Afonso Arinos é o Pilatos que lava as mãos diante da Ordem do Cruzeiro do Sul sendo oferecida a Che. E no segundo (24/08/1961), Nilde brinca com o concurso de bailarinos do Teatro Municipal, acontecendo naquela época, e coloca Jânio como vencedor, vestido de cossaco e dançando uma dança típica russa. (23/08/2016)

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24 DE AGOSTO


Tribuna da Imprensa: Lacerda convoca cadeia de rádio e TV para fazer pronunciamento onde denunciará ter sido cooptado para uma tentativa de golpe pelo ministro da Justiça. Como conseqüência pretende renunciar para "liderar um movimento de oposição à política exterior do governo".

Por que Jânio se deixaria fisgar por uma ameaça tão ridícula, tão canhestra, que só poderia sair da cabeça frustrada e recalcada de Lacerda, ninguém nunca saberá. (24/08/2016)

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GENETON


Lamento profundamente pela morte tão prematura de Geneton Moraes Neto. Seus livros "Nitroglicerina Pura" (com o grande Joel Silveira), e "Dossiê Brasil" me ensinaram muito, quando eu começava a quebrar a pedreira da biografia de Jânio.

Um exemplo de jornalista competente e pesquisador dedicado. (24/08/2016)

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HÁ 55 ANOS


A Tribuna da Imprensa estampa o pronunciamento de Lacerda no dia anterior. Clemente Mariani apressa empréstimo ao Rio. O presidente da Petrobrás, Geonísio Barroso falará com Jânio sobre transferência da sede da Petrobrás para Bahia. Lacerda resolve ficar, "para lutar contra trama golpista". Mais atual, impossível. Como não lembrar de José Nêumanne, quando se refere ao PT como "a UDN de macacão"? Lacerda era um petista de corpo e alma.

Simbólico o início, hoje, dos debates no senado sobre o impeachemt de uma presidente que já deveria ter renunciado faz tempo, justamente na data que marca os 55 anos da renúncia de um presidente que não deveria jamais ter renunciado. (25/08/2016)

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DOIS ANOS SEM TUTU


Como já foi mostrado em publicação anterior, bonecos infláveis representando políticos não são novidade. A inovação foi a confecção de um boneco não para incensá-lo, mas para mostrá-lo em vestes de presidiário. É o caso do célebre e engraçadíssimo Pixuleco.

O caso de Jânio foi outro. Ele passou grande parte do ano de 1959 viajando o mundo e tomando conhecimento não apenas dos líderes de cada país que visitava, mas dos problemas enfrentados pela população desses países. Na volta, considerado o candidato perfeito para encerrar de vez o ciclo iniciado ilegitimamente em outubro de 1930 (do qual JK foi o último representante) e vencer as eleições do ano seguinte, Jânio foi recebido com manifestações de carinho e apoio que não tinham precedentes.

O Movimento Popular Jânio Quadros, MPJQ, presidido pelo parlamentar Castilho Cabral, mandou fazer bonecos infláveis que traziam a imagem de Jânio, com a legenda "Jânio vem aí". Na foto vemos a jovem Tutu, que acompanhou o pai por toda a viagem, com um desses bonecos.

Saudade de Tutu. (28/08/2016)

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Jânio - Vida e Morte do Homem da Renúncia
Vol I: "Um Moço Bem Velhinho"
Bernardo Schmidt
Editora O Patativa
350 pgs ilustradas
R$ 30,00 (Frete incluso para todo o Brasil)

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Ver também:
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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Sobre Ontem (2)




















COITUS INTERRUPTUS

Não pude assistir ao vivo as sessões de ante-ontem e ontem no senado, mas aqui vão alguns comentários rápidos:

1 – O discurso de Dilma na véspera foi digno. Digno de quem o proferiu e de quem o elogiou. Ou seja, cretino e incoerente.

2 – Ainda não consegui decidir onde Renan é pior: na presidência do senado ou no meio dos senadores. Páreo duríssimo.

3 – Não sei como alguém consegue estar a favor de gente como Gleisi, Lindbergh e a bancada da chupeta. Juro que não sei. Com muito esforço, abnegação e boa vontade conseguimos entender os petistas, psolistas, mortadelas, criançada, oportunistas e burrinhos em geral que não largam o osso e apoiam Dilma e Lula de maneira teimosa e esquizofrênica. Freud explica. Sérgio Paulo Rouanet explica. Mas apoiar a bancada da chupeta, o “Rivo-Trio”, juro por Deus, a pessoa tem que ser muito imbecil. Nem na Câmara Municipal mais caipora deste país eu vi pessoas tão escrotas, em espetáculos tão ridículos, tão deprimentes.

Outro dia postei um video de Janaína Paschoal em seu último pronunciamento no senado, elogiando-a. Veio uma amiga petista e disse que sentiu vergonha, pelos políticos de ambos os lados. É minha diferença fundamental com petistas. Eles têm vergonha dos políticos em quem votaram e aqueles que os sustentam politicamente. Eu tenho ORGULHO de ser representado, nesse processo, por Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. Mas é compreensível. Se eu fosse mortadela eu também teria vergonha de tudo. Sobretudo de ser mortadela.

4 - A propósito, lendo um artigo qualquer sobre a conjuntura atual, me caiu a ficha de que a geração nascida no primeiro lustro da década de 90 - coincidentemente a mais raivosamente lulopetista - saía da infância quando Lula foi eleito. A rigor, tem como única referência de presidentes do Brasil, Lula e Dilma. Que coisa terrível! Como filhos dedicados desses dois farsantes, os defendem mesmo sabendo que são culpados: "São uma merda, mas são meus pais. Não tenho outros". E no outro vértice temos os filhos rebeldes, revoltados e igualmente desnorteados, clamando por uma intervenção militar: "Foram péssimos pais. Merecem ser punidos". Crianças idealistas e fazendo política com o fígado. Nunca pagaram um aluguel. Se puxarmos o fio desse novelo macabro somos capazes de mapear o crescimento descontrolado e holístico da ignorância no Brasil nos últimos treze anos. É tarefa para quem tem estômago.

5 – Aprovar o impeachment e na seqüência votar por não cassar os direitos políticos de Dilma foi a brochada do século! Temos que admitir: Livrandowski, Renan e a patrulha petralha conseguiram apagar o fogo do Vesúvio quando a lava já começava a queimar os arredores. Me fez lembrar aqueles 47 do segundo tempo em que Aécio ficou na frente de Dilma alguns segundos, ela virou o placar e a votação foi encerrada. Você pensa que a desgraça vai acabar e ela recomeça! ... Agora teremos mais não sei quantos meses até o STF limpar a tonelada de bosta que Livrandowski e os senadores deixaram no plenário do senado.

A melhor analogia, para quem ainda não sacou a absoluta barbaridade de se “fatiar” uma votação que é indivisível, no artigo 52 da Constituição, seria pegar uma médica que precisava operar a úlcera de um paciente e ao invés disso ela amputou a perna do acompanhante, que estava ao lado; ela é despedida desse hospital mas o conselho de medicina não cassa sua licença médica e ela continua fazendo cagadas por aí, mesmo sendo uma ameaça para a população.

O acordo PT/PMDB para livrar Dilma da cassação prova que ao invés de Chico, quem deveria estar lá dormitando no mezanino, ao lado de Lula, era Tássia Camargo. A nefasta argumentação de que Dilma não seria nem "merendeira de escola" e não conseguiria se sustentar com os parcos 30 mil reais de sua aposentadoria, encontra bem mais eco no palanfrório descompensado e incoerente da esquecida atriz, do que nas letras do grande compositor.

6 - Joaquim Barbosa condenou com veemência o impeachment, que chama de um impeachment "tabajara". Como se fosse um fã do Restart, ele "xingou muito no twitter". Mas está em seu direito, sendo o brasileiro douto e honesto que é. Assim que fez suas declarações, a mortadelada se animou e saiu provocando para saber quem seria o coxinha a atirar a primeira pedra. Pra variar, medem coxinhas pela régua torta da mortadela. Porque para petistas e quejandos, fulano e beltrano só valem enquanto rezarem estritamente pela cartilha do lulopetismo. Qualquer deslize, qualquer possibilidade de pensarem com suas próprias cabeças, terem suas próprias opiniões, tornam-se golpistas e traidores. Haja vista o que está acontecendo ao bondoso Cristóvam Buarque, alvo mais recente da hidrofobia mortadélica.

NINGUÉM de bem vai atirar pedras em um brasileiro extraordinário como Joaquim Barbosa. Porque entre coxinhas de boa cepa não há ataques gratuitos, não há execrações públicas somente pelo fato de que Barbosa tem neste momento opinião diversa. É da democracia.

7 - Por falar em Cristóvam, sinceramente, eu desisto dele! Eu tento gostar dele, tento lembrar apenas de que se trata de um homem sério, com bons serviços prestados ao MEC, mas a cada passo para frente, ele dá dez para trás! Começou com Brizola, depois foi para o PT. Incomodado com a corrupção do partido, foi para o PDT. Incomodado com a corrupção do partido, foi para o PPS. Embora a posição do partido de Roberto Freire sobre a permanência de Dilma na presidência fosse clara e cristalina desde o primeiro momento, Buarque temeu a revolta de seu antigo eleitorado, que nunca perdoou sua saída do PT, e se manteve no muro até o fim, quando finalmente se decidiu pelo impeachment. E quando pensávamos que não haveria mais idas e voltas, ele se junta a reservas morais como Renan Calheiros, Jader Barbalho e Telmário Motta e vota pela manutenção dos direitos de Dilma!

Cristóvam conseguiu irritar todo mundo. Mortadelas não o perdoam por ter sido a favor do impeachment. Coxinhas não o perdoam por ter votado pela manutenção dos direitos. Não sei exatamente a quem ele agradou com sua decisão.

Marta Suplicy passou 20 anos no PT, se banqueteou na orgia petralha, fez vista grossa para o mensalão e o petrolão, apoiou Lula, Dilma, Netinho, Haddad e Padilha, e só pulou fora do barco quando a água já estava pelo pescoço. Como se não bastasse foi para o partido de Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Mas pelo menos saiu. Fala mal. Vota contra. Faz oposição. Cristóvam e Marina Silva saíram sem sair. Continuam petistas fora do PT. Não conseguem ficar contra. É maior do que eles. E maior do que a nossa paciência, também. Chega.

8 - Nos noticiários de hoje há fotos da sessão que teve a presença de Dilma, em que são mostradas rodinhas, nos intervalos, com ela, Aécio, Cardozo e Livrandowski rindo, em momentos de descontração. Foi o suficiente para choverem comentários do tipo "triste", "farinha do mesmo saco", "enquanto vocês brigam eles se divertem".

Mais uma retrato da ignorância política do brasileiro. Me faz lembrar um idiota que chamou Alckmin de adesista e puxa-saco porque andando com Dilma, certa vez, começou a chover e ele puxou um guarda-chuva para ela. Civilidade e urbanidade são proibidos. Ou seja, se Dilma e Aécio estão rindo e confraternizando como adultos, adversários mas não inimigos, são "farinha do mesmo saco". Se estivessem se estapeando e se olhando com ódio, seria o certo? Volto a Ulysses Guimarães: "Política não se faz com o fígado, porque não é função hepática". Cresçam, crianças.

9 - Ninguém lembrou de Getúlio e há um lamentável paralelismo: em 29 de outubro de 1945, Getúlio foi deposto depois de uma ditadura de 15 anos. Ao contrário do ínclito e imenso Washington Luís, que foi mandado a pontapés para um exílio de 17 anos com uma mão na frente e outra atrás, os idiotas que depuseram Getúlio sentiram peninha do velho e não lhe cassaram o direitos. Resultado: ele se elegeu senador nas eleições de 2 de dezembro (pouco mais de 30 dias depois de ter sido deposto), nunca compareceu às sessões e esperou, confortavelmente em sua cadeira de balanço, as eleições seguintes, na qual voltou à presidência. E se matou quatro anos depois. Se tivesse sido cassado, morria de velho em São Borja e poupava o Brasil dessa convulsão social.

Como diria Rambo no fim do primeiro filme, “Nothing is over”.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Minestrone Cultural VI


FOSTER BROOKS E DEAN MARTIN



O maravilhoso FOSTER BROOKS (1912/2001), quebrando Dean Martin ao meio. Uma aula de timing e de talento. (27/05/2016)

THE MAN WHO LAUGHS (1928)

O maravilhoso Conrad Veidt

Por que demorei tanto para conhecer e assistir essa maravilha dirigida pelo alemão Paul Leni? O filme é baseado no romance de Victor Hugo sobre um garoto cujo pai é assassinado a mando do rei da Inglaterra, e ele tem seu rosto desfigurado pelos "comprachicos", ciganos criminosos que desfiguravam crianças para torná-las grotescas atrações de circo. Traz como protagonista essa jóia que era Conrad Veidt, a própria personificação do que poderia se chamar "expressionismo alemão".

Aparentemente o estúdio queria Lon Chaney para o papel de Gwynplaine, mas este já assinara contrato com a Metro. Gosto de Chaney, mas mal sabiam os engravatados da Universal a sorte que tiveram de escalar Veidt. Seu rosto, e sobretudo seus olhos, são um carrossel de emoções. O trabalho de Veidt é simplesmente sublime. O mesmo pode e deve ser dito do elenco impecável que inclui Mary Philbin como a doce e querida Dea, Cesare Gravina como o oportunista de bom coração, Ursus, Brandon Hurst como o facinoroso e sádico Barkilphedro, Olga Baclanova (idêntica à Madonna na década de 80), como a fútil e voluntariosa duquesa Josiana, Stuart Holmes como o cretino Dirry-Moir e assim por diante.

Lamenta-se que Leni tenha morrido no ano seguinte. Era um grande diretor e tinha uma carreira magnífica pela frente. O filme suaviza alguns aspectos do livro de Victor Hugo, que tem contornos de tragédia e um final terrível. Para quem ainda não sabe, o personagem "Joker", do Batman, foi criado por Bob Kane a partir da caracterização de Conrad Veidt para Gwynplaine.

Obrigado, Dione, pela indicação.
Recomendo enfaticamente. (18/06/2016)

AN ENEMY OF THE PEOPLE (1978)

Steve Macqueen, no papel de Thomas Stockmann

Como tantos atores estereotipados seja pela beleza, seja pela predominância de um único tipo de personagem, Steve Macqueen um dia se encheu de interpretar sempre o durão cool, armado, de moto e óculos escuros. Queria realizar uma transição completa para os papéis sérios, que envolvessem verdadeiro trabalho de interpretação como aquele que aprendeu quando fez parte do Actor's Studio, na década de 50.

Concluindo "Inferno na Torre" em 1974, e catapultado ao olimpo hollywoodiano, Macqueen tocou o proverbial "foda-se" de quem não precisa mais se curvar ao establishment e jogou seu cachê na estratosfera, com o fito exclusivo de evitar ofertas vazias. Acabou evitando todas as ofertas, tal era a quantidade de dinheiro que pedia para estrelar qualquer coisa.

Depois de quatro anos de tédio, no qual só trabalhou em um filme B por prazer, sem cobrar nada, enamorou-se da adaptação de Arthur Miller para o grande texto de Ibsen, "Um Inimigo do Povo". Era exatamente o que queria. Um papel sem nenhum tipo de ação, transbordando diálogos, e no qual ele poderia esconder-se de sua própria aparência, deixando crescer cabelo e barba. Convidou George Schaeffer para dirigir, um belo elenco coadjuvante e pôs mãos à obra.

O esquisitíssimo cartaz de
An Enemy of the People
Pronto o filme, a Warner ficou absolutamente perdida; não sabia como promover um filme que trazia uma espécie de Macqueen ao contrário. O próprio cartaz do filme é ridículo, misturando fotos do ator em diferentes papéis, incluindo no centro o seu personagem em "um Inimigo do Povo", Thomas Stockman. Um desastre que resultou no naufrágio do filme nas bilheterias. Foi o ante-penúltimo trabalho de Macqueen, que morreu de câncer dois anos depois. Quando surgiu o VHS imaginou-se que o filme teria um renascimento massivo, homenageando o ator e seu esforço por realizar obra tão significativa. Não foi o que aconteceu. "Um Inimigo do Povo" empoeirou nas estantes da Warner por mais de 30 anos até aparecer, finalmente, em DVD.

É um filme bonito e muito bem feito. Não me pareceu que atingisse a profundidade do texto de Ibsen, ou que Macqueen conseguisse reproduzir a multiplicidade de sentimentos suscitados pela desdita de Stockman. Mas ele merece encômios. Sua performance é contida, correta e sem exageros. Não é genial, mas vislumbra-se o que ele poderia ter se tornado, não tivesse perdido a vida para o câncer com apenas 50 anos. O trabalho é muito valorizado pelas interpretações do maravilhoso Charles Durning e da musa de Bergman, Bibi Andersson. 

Lamenta-se que seja trabalho tão desconhecido.
Recomendo, para quem puder encontrar. (26/06/2016)

COLONIA (2015)

Na esteira da extraordinária fama obtida durante anos interpretando a 'braniac' Hermione Granger, Emma Watson tem tentado traçar para si uma carreira que faça diferença no mundo. Desde projetos LGBT ou de simples empoderamento feminino até filmes com temática política ou social, Watson nos dá o prazer supremo de passar ao largo - no mais das vezes, com poucas exceções - de caça-níqueis que lhe renderiam fortunas mas manchariam sua reputação. O mais recente de seus projetos é o filme "Colonia Dignidad", dirigido pelo alemão Florian Gallenberger e co-protagonizado pelo tambem alemão Daniel Brühl, e pelo sueco Michael Nyqvist.

Baseado em fatos reais, conta a história do casal anglo-alemão formado por ela e Daniel Brühl - ela aeromoça e ele um militante de esquerda - que se vêem no estopim da revolução chilena de 73 que depôs Allende e levou ao poder o general Pinochet. Preso, Brühl é levado à misteriosa "Colonia Dignidad", que na superfície era sede de uma seita de fanáticos religiosos liderada por um alemão psicopata, sádico e pedófilo. E por dentro funcionava também como um laboratório de tortura e assassinato de presos políticos, além da fabricação de armas de destruição em massa. Desesperada e determinada a salvar o namorado, Watson se infiltra na Colonia.

Suspense de boa qualidade, com ótimas interpretações. Muito bom, e tanto melhor por revelar mais essa faceta monstruosa da ditadura chilena.

Recomendo. (30/06/2016)

A LETRA ESCARLATE (1927)

Poster original de The Scarlet Letter

Meus caros, na primeira metade do século XX, os filmes norte-americanos e europeus seguiam um roteiro comercial que podia provocar demoras de até dois anos no seu lançamento brasileiro. No caso de "The Scarlet Letter", adaptação de Frances Marion para o famoso livro de Nathaniel Hawthorne, com direção de Victor Sjöström, trazendo a maravilhosa Lillian Gish no papel de Hester Prynne, a demora foi de apenas seis meses. Estreou no mundo inteiro em agosto de 1926 e chegou ao Brasil em abril de 1927.

O Jornal, 9/4/1927
Sua estréia brasileira ocorreu no Theatro Casino, no centro do Rio. A propaganda foi desenhada por um sujeito chamado "Annibal", calcando um dos posters do lançamento norte-americano. Mas nota-se que disfarçou o erotismo do desenho original, onde vemos Lilian Gish abrindo sua camisa e mostrando a letra na própria pele, colocando a letra por sobre a roupa. Apareceu em O Jornal, de 9 de abril de 1927. (29/05/2016)

A maravilhosa Lillian Gish no papel de Hester Prynne

MACBETH (2015)
Direção de Justin Kurzel

Esperei dois anos para ver esta versão. Nem sei se ela entrou em cartaz no Brasil. O que sei é que outro dia lembrei dela, e na primeira procurada encontrei o torrent disponível.

Assisti. E nem sei por onde começar.

Resumindo: é a uma das piores versões que já vi para a tragédia escocesa. O filme tem TRÊS roteiristas, o que já não é bom sinal em se tratando da milésima adaptação de um texto que tem 400 anos. O que eles fizeram foi cortar falas e cenas, pura e simplesmente. Cortaram monólogos importantíssimos, cortaram diálogos seminais entre Macbeth e sua esposa, cortaram Donalbain e o porteiro (até aí não me importo porque Orson Welles fez o mesmo; ademais, o primeiro é personagem de fato dispensável e o segundo tem falas só compreensíveis ou cômicas na época de Shakespeare), cortaram 90% da cena do extermínio da família de Macduff, cortaram tudo.

Cortaram tanto que não se distingue o momento em que Macbeth se deixa entorpecer pela idéia do poder absoluto, e o processo pelo qual Lady Macbeth se envenena com a própria perversidade e enlouquece. O assassinato de Duncan, no texto original, vai de sua concepção, passando pela negativa inicial de Macbeth, sua concordância, sua realização parcial, o arrependimento e o pavor - um dos diálogos mais emocionantes da peça (ato 2, cena 2) - e a conclusão, que vai até a fuga de Malcolm e Donalbain e as conversas posteriores, onde se verifica que Macbeth herdará a coroa e os prováveis culpados pela morte de Duncan são seus filhos. Tudo isso foi substituído mostrando Macbeth apunhalando Duncan, seguido uma interpolação de falas esquisitíssima em que Malcolm vê Macbeth ao pé da cama do pai morto, vira as costas e vai embora. Ridículo. Há dezenas de outros cortes, mas paro por aqui.

O elenco foi um triste equívoco. Confesso que me empolguei quando soube da escolha de Michael Fassbender e Marion Cotillard. Pouco foi necessário, entretanto, para que eu constatasse meu engano. Fassbender é muito carismático e um bom ator. Mas não é um ator trágico. Pelo menos em se tratando de teatro clássico. Seu Macbeth é abúlico, enfermo de ânimo e dá as falas como se estivesse drogado. Quando tenta vôos mais altos tropeça na limitação de sua voz. Seja por isso ou pela péssima direção, ele passou longe da dramaticidade inerente ao personagem. Tem muito que aprender antes de descascar um tótem interpretativo como Macbeth.

Cottilard: desperdício
Marion Cotillard é maravilhosa mas seu papel está tão mutilado que não sobra oportunidade para que ela dê vida à sua Lady Macbeth. Um desperdício astronômico. David Thewlis não tem nada a ver com Duncan. Primeiro que não representa a velhice necessária ao papel, o que torna implausível a pressa em tornar Malcolm príncipe de Cumberland. Segundo que, mais uma vez, o texto foi tão cortado que não permite que o espectador sinta, junto a Macbeth, o carinho e o respeito pelo rei provecto e venerável, compreendendo as reservas morais do protagonista quando tem que matá-lo, e a terrível dor de consciência que o acossa quando o faz. Da mesma forma, o público não alcança a gravidade do que foi feito a Macduff e assim, não comunga com ele de seu desejo patológico de vingança.

E assim o filme segue, desamarrado, mal engendrado, mal concatenado, desperdiçando esse monumento literário shakespeariano. Poderia enumerar mais uns vinte defeitos dessa versão, mas creio que a coisa já ficou clara.

Lamento.
E não recomendo. (31/05/2016)

BANDALHEIRA














Confesso que levei um susto quando abri o UOL de hoje. Pensei, assim como o Maneco da crônica de Nelson Rodrigues: “Bonito! Descobriram alguma bandalheira minha!” (23/06/2016)

TONARI NO TOTORO (1988)

Mais um Miyazaki, só que desta vez da década de 80. "Tonari no Totoro" (となりのトトロ), ou "Meu Vizinho Totoro" fala da interação de duas meninas com espíritos da floresta, em especial um deles, Totoro, que conheciam de um livro de histórias infantis. O personagem - popularizado pelo filme a ponto de ser hoje um dos mais conhecidos do Japão, além de estar no logotipo dos estúdios de Miyasaki - pode tanto significar uma espécie de suporte espiritual para as crianças que tiveram seus lares desfeitos de uma forma ou de outra pela guerra, como ser símbolo da integração benéfica homem/natureza. A mensagem ecológica é clara. Entretanto, foi só depois de ler mais sobre a produção (o que fiz pois estranhei o telefone usado por Satsuki em uma das cenas) que fiquei sabendo que a história se passa em fins dos anos 50, enquanto o Japão ainda vivia a ressaca pós segunda guerra.

Não escreverei, porém, sobre o filme, ou de minhas impressões a respeito do que vi por duas razões: a primeira é que tudo que se precisa saber sobre ele está no verbete em inglês da wikipédia. Segundo porque depois de três filmes desse gênio incomparável que é Miyasaki, já se sabe o que direi: é lindo, é emocionante, é balsâmico. (03/07/2016)

KÁTIA

Kátia em 2013
1991.

Bastidores do Palladium, casa de shows no Shopping Eldorado, que depois virou a casa noturna Resumo da Ópera e hoje é o teatro do shopping. Show do maravilhoso e inigualável Chico Anysio. Disposto a abraçar o mestre, agradecer-lhe por ter trazido felicidade à minha vida desde sempre, aguardo que se abra a porta do camarim. Alguns artistas e amigos de Chico também chegam. Vejo a grande Consuelo Leandro, dali a pouco Miriam Batucada, artistas menores, seu filho Lug, um ou outro fã de Chico e, em meio ao compacto grupo, uma mulher linda, de vermelho. Que reconheci instantaneamente.

Era Kátia Maranhão, a jornalista que alcançou a proeza extraordinária de tornar respeitável e competitivo o jornalismo de duas emissoras que sequer tinham jornalismo: SBT e da Gazeta. E conseguiu porque juntava o raro binômio da beleza e da competência. Não era como certas apresentadoras, muito bonitas e esforçadas, mas que são meras bonecas papagaiando as notícias. Quando vi Renata Vasconcelos pela primeira vez no Bom Dia Brasil lembrei-me imediatamente de Kátia. Eu queria vê-la toda noite no Jornal do SBT porque isso significava receber as notícias através de sua voz, bela e modulada, de seu rosto expressivo, da maneira envolvente com que transmitia as diferentes emoções, pelo sorriso atraente e cativante. Era ela. Kátia pré-Playboy e pré-Casseta & Planeta.

Nos bastidores do show de
Chico Anysio, em 1991
Não consegui evitar. Engoli em seco e a abordei, já prevendo aquele "oi" frio, a empáfia e o saco cheio fundamental de quem está bombando na mídia. Cumprimentei-a, num paroxismo de timidez, disse-lhe de minha admiração e lhe pedi uma foto. Sua reação: abriu os braços com a maior simpatia e me deu um abração. Agradeceu os elogios com os olhos brilhando, humilíssima, genuinamente feliz de ter seu trabalho reconhecido; brincou, envolveu quem estava por perto na nossa conversa e na hora das fotos ela divertiu a todos; tiramos uma, ela piscou, "tira outra!!!! Eu pisquei nessa!!!!", na seguinte, alguém passou na frente; ela gargalhou com aquele sorrisão lindo, "outraaaaaaa!!!"...

Inesquecível. Uma mulher linda e encantadora. (05/06/2016)

REVISTA CINEARTE, 1935


VIRGINIE


Acho que de tanto celebrar a volta do Metrô e elogiar a Virginie, acabei conjurando-a!

Estou hoje no metrô da linha amarela, sentado, completamente distraído, quando vejo se aproximar da porta, para sair na estação seguinte, QUEM? A própria: Virginie Boutaud! Sim, no METRÔ da linha amarela! Parece cabalístico, mas foi pura coincidência, além de cena tipicamente paulistana.

Sozinha, discreta, quietinha. Não agüentei. Levantei, fui até ela, disse baixo, "Virginie", ela olhou e eu falei em seu ouvido: "Você realmente achou que conseguiria andar anônima, por aí?"

Ela riu, divertida, e imediatamente lhe falei do show do Pinheiros que assisti nos idos de 85, 86. Conto-lhe do detalhe importante, ou seja, o video gravado depois do show. Digo algo como "aí vocês voltaram e disseram que iam gravar ao vivo a Tudo Pode Mudar". Ela interrompe: "Tititi". "Como assim?", pergunto eu. "Tititi", repete ela. Estava me corrigindo! Não só lembrava do show como também da música que voltaram para gravar ao vivo!

Perguntou-me a idade que tinha naquele show, se gostei, falou do show da Virada Cultural e fez propaganda do show que o Metrô fará na UNIBES, nos dias 11 e 12 de agosto. Ela é surpreendentemente alta. Sempre tive a impressão de que ela era baixinha, e é exatamente o contrário.

Com a estação chegando, disparo uma dúzia de elogios, ela agradeceu, docílima, abracei-a e ela saiu. Não haviam passado mais do que três ou quatro minutos. E eu sem um celular ou uma bendita câmera para registrar o encontro!

Mas ganhei a semana, do mesmo jeito. (25/07/2016)

No dia seguinte a doce e querida Virginie documenta nosso encontro em sua própria página do Facebook. Minha resposta a seu post é uma demonstração pequena da imensa gratidão que sinto por ela ter melhorado tanto nossa vida em período difícil e conturbado, como é a adolescência:



DON RICKLES - 90 ANOS (1)


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No dia 8 de maio o comediante norte-americano Don Rickles completou 90 anos. Ator e comediante, é seguro dizer que foi o maior "roaster" da história.

Conheci Rickles através de suas participações no programa de David Letterman nas décadas de 80 e 90 e achava-o engraçado, de uma forma meio estúpida e cínica. Foi só depois de lançarem os antológicos roasts de Dean Martin em VHS, na mesma época, que descobri quem era Rickles, de fato, e o porquê de seu humor tão agressivo.

O roast (traduzido em português como "fritada") existe há tempos nos Estados Unidos, mas atingiu seu píncaro com o Friar's Club e o programa de TV de Dean Martin. Rickles foi figura constante em ambos e era geralmente o mais temido dos roasters, mesmo roçando ombros com seus ídolos, Jack Benny, Milton Berle, Bob Hope, Johnny Carson e outros mestres. Vez por outra era o homenageado - houvesse ou não razões para tanto - simplesmente porque era impagável vê-lo nas duas posições, fritando ou sendo fritado.

Publicarei dois videos legendados com célebres roasts feitos por Don Rickles em cerimônias do AFI. O primeiro é de 1996, quando o homenageado foi Clint Eastwood, com quem Don trabalhou no esquecido "Kelly's Heroes", de 1970.

É divertidíssimo. Quem apresenta é Jim Carrey e vale a pena ver o ataque de riso absolutamente espontâneo que Rickles causa no jovem Carrey. Uma aula de humor. (26/07/2016)

DON RICKLES - 90 ANOS (2)



Continuando a postagem de ontem, na qual Rickles frita Clint Eastwood em 1996, trago hoje a cerimônia do AFI do ano seguinte, na qual a vítima é Martin Scorsese.

O interessante é que sem nunca ter sido efetivamente uma figura de proa no show business - suas tentativas de sitcom falharam, todas - Rickles era onipresente e trabalhara com praticamente todos os artistas, em um momento ou outro. É o caso de sua associação com Scorsese, no filme "Cassino". É um papel pequeno, simbólico, mas deu a Rickles, como "roast meister", a autoridade para fritar o célebre diretor. E ele cria mais um momento antológico. (27/07/2016)

DON RICKLES - 90 ANOS (3)


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O "The Kraft Music Hall Friars Club Roast" de Don Rickles foi ao ar em 30 de setembro de 1970. Contou com o apresentador Johnny Carson e os "roasters" foram o comediante Alan King, o âncora do telejornal noturno da NBC, Chet Huntley, o comediante Henny Youngman, o ator George C. Scott, o comediante Milton Berle e o apresentador Dick Cavett.

Chet foi chamado como forma de homenageá-lo, já que acabava de se aposentar de seu cargo de âncora e era muito querido pela população norte-americana. Morreu três anos e meio depois, em março de 74. Henny Youngman era violinista e comediante. Morreu em 1998. Milton Berle dividiu com Bob Hope e Jack Benny o cetro de maior comediante norte-americano. Morreu em 2002. Alan King era um excelente ator e comediante. Morreu em 2004. Carson foi o maior apresentador de todos os tempos e morreu em 2005.

George C. Scott foi chamado porque seu filme "Patton" acabava de estrear e fora um sucesso avassalador de crítica e público. O filme foi ainda mais visto quando Scott declarou, já naquela ocasião, que se fosse indicado ao Oscar, não compareceria à cerimônia porque discordava da idéia de artistas competindo entre si por um prêmio. Ele foi indicado e cumpriu a promessa: em abril do ano seguinte ganhou o Oscar e não foi. Scott era um gênio da arte de interpretar. Morreu em 1999.

Dick Cavett trabalhara com Carson desde a estréia deste no The Tonight Show. Em 1968 começou a apresentar seu próprio programa de entrevistas na ABC. Está hoje com 79 anos. Ele e Rickles são os únicos que restam daquela esplêndida noite, em 30 de setembro de 1970. (31/07/2016)

ZÉ RODRIX

Querido, talentoso e saudoso.
Encontro há 25 anos, no espetáculo de Cláudia Raia. (13/07/2016)


KARAN

Com o amado Guilherme Karan, 1993
Maravilhoso e talentosíssimo Guilherme Karan...

Tomei contato com seu talento na TV Pirata. Eu começava na época meu flerte com o teatro e o programa era repositório de uma geração magnífica de atores teatrais. Tudo me impressionou em Guilherme. Tudo nele era marcante, sobretudo sua risada e sua voz. Bobagens como o Zeca Bordoada e o monstrengo Agronopolos, ou sketches bem boladas e até mais sofisiticadas do que o público da TV Pirata, todas tornavam-se antológicas com sua participação. Lembro-me dele e de Nanini em um sketch chamado "Se a vida fosse uma ópera". Ambos cantaram, dramáticos e divertidos ao mesmo tempo, uma explosão de talento em poucos minutos de televisão. Para mim, uma verdadeira aula.

No teatro tive o privilégio de vê-lo em uma de suas (até onde sei) poucas incursões paulistas. Foi em "Lucrécia, o Veneno dos Bórgia", texto de Paulo César Coutinho e direção de Celso Saiki. O espetáculo era ruinzinho e mero veículo para a beleza de Luiza Tomé. Guilherme vivia um Maquiavel estilizado, com lentes brancas que remetiam ao personagem "Baixo Astral", do filme com Xuxa, que tanto o popularizou. Um golpezinho mequetrefe de marketing que desmerecia Guilherme; não obstante, o espetáculo só existia quando ele estava em cena. Uma presença extraordinária. Esperei para conhecê-lo na saída do Ruth Escobar. Tímido, é a palavra para defini-lo. Quanto mais extravagante, barulhento e careteiro nas telas ou no teatro, mais discreto, tímido e doce ele era no contato pessoal.

Dez anos depois o encontrei no saudoso PEQUI, em São Paulo, com os amigos. Fui conversar com ele. Abracei-o com a saudade de um verdadeiro fã. Ele foi doce e amável como sempre. Estava saudável e bem. Nem um único sinal que revelasse o mal insidioso e cruel que o acometeu tempos depois.

Um ator maravilhoso, que infelizmente não vi aproveitado como devia e merecia, seja no teatro ou na TV. Na tristeza de vê-lo partir depois de tanto sofrimento, guardo a alegria imensa de tê-lo conhecido e abraçado.

Como bem disse Eduardo Martini, que Deus te receba de braços abertos! (08/07/2016)
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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Entrevista ao POR DENTRO DA POLÍTICA — 12/07/2016


Meus caros,
no ano passado estreou na TV Assembléia o "Por Dentro da Política". Apresentado pelo veterano jornalista e repórter Jorge Machado, experimentado na área e conhecedor da política estadual destes últimos 30 anos, o programa começou com a intenção de receber deputados estaduais que aproveitariam o espaço para ressaltar seu próprio trabalho no parlamento e promover a "apresentação e debate das propostas na Assembleia Legislativa ou ações diretas com a comunidade".

Com o tempo esse formato se ampliou e passou a incluir programas especiais sobre efemérides paulistas (como a Revolução Constitucionalista) ou grandes figuras de nossa política (como Vargas). No fim de junho fui convidado a participar de um programa especial sobre Jânio Quadros. Desde o lançamento do primeiro volume de minha biografia de Jânio eu esperava poder divulgar esse trabalho participando de algum programa na TV Assembléia.


Com o apresentador Jorge Machado

A oportunidade veio, finalmente, e o bate-papo de meia hora com Jorge Machado foi dinâmico e agradável. Assuntos, anedotas e fatos não faltaram, passamos de um tema para outro com fluidez e pudemos cobrir uma boa parte da vida pública do ex-presidente. Falamos de seu comportamento paradoxal, de sua juventude sofrida, de sua entrada na política, de seus colegas Cid Franco e Porphyrio da Paz, de Paulo Maluf, de Luiza Erundina, de Fernando Henrique Cardoso e tantos outros. Até sobre o que teria sido um Jânio em tempos de Facebook chegamos a comentar. Nos mantivemos na superfície, sem dúvida, pela eterna exigüidade do tempo, mas trazendo novos elementos àqueles que já conhecem Jânio, e incutindo a semente da curiosidade aos que estão chegando agora e ouvem falar dele pela primeira vez. Foi um grande prazer participar, e espero voltar mais vezes.

Abaixo vai a entrevista:



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Jânio - Vida e Morte do Homem da Renúncia
Vol I: "Um Moço Bem Velhinho"
Bernardo Schmidt
Editora O Patativa
350 pgs ilustradas
R$ 30,00 (Frete incluso para todo o Brasil)

Compre através do e-mail editora.opatativa@gmail.com
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